Eu esperava, os fãs ansiavam e a Blizzard não anunciou nenhuma remasterização de Warcraft 3 ou Diablo 2 nesta BlizzCon 2017. Afinal, é natural pensar que, depois de StarCraft: Remastered, os demais títulos da empresa possam receber edições atualizadas a partir de agora — ainda mais com pacotes de atualizações e mudanças cada vez mais frequentes nos dois games. Mas este ainda não é o caso, e o time de games clássico do estúdio explicou durante o evento o que ainda falta para eles pensarem nessa possibilidade.

O The Enemy esteve presente durante a BlizzCon 2017 e conversou em entrevista com o designer-chefe do setor, Matt Morris, e sentou na coletiva de imprensa com o vice-presidente do setor de tecnologia Rob Bridenbecker e o produtor sênior Pete Stilwell para saber quais são os focos da equipe de games clássicos da Blizzard. Não faltou nostalgia e perguntas sobre remasterizações, pode apostar.

O que falta para Warcraft 3?

Antes de mais nada, Morris explicou que o foco da equipe de games clássicos ainda está em refinar StarCraft: Remastered e adicionar novas ferramentas para ele. Mas, enquanto isso, eles estão trabalhando em novidades para Warcraft 3, principalmente envolvendo novos mapas competitivos e já pensando nas mudanças de balanceamento que podem vir por aí.

"Estamos trabalhando em Diablo 2, e também estamos trabalhando em Warcraft 3. Acabamos de apresentar um servidor de testes para Warcraft 3, nós atualizamos alguns dos mapas, estamos conversando com a comunidade sobre balanceamento e implementando alguns problemas técnicos", explicou Morris. "Nada em um estado de remasterização, mas estamos olhando para os jogos e descobrir o que podemos fazer para esses jogos neste momento", complementa.

Parte do "começo" dessa aproximação esteve com os novos mapas competitivos que aos poucos estão entrando dentro do jogo. "Quando eu comecei a olhar nos mapas antigos, queríamos atualizar a lista ranqueada porque não fazíamos isso há muito tempo, então pensamos em como evoluir os mapas clássicos e torná-los melhores", reforça Morris. Eles ainda pensam em conversar ainda mais com a comunidade sobre isso porque a comunidade tem feito mapas muito bons e que atualmente são melhores até mesmo que os originais.

Ao contrário de Overwatch ou outros produtos recentes da Blizzard, em que eles não podem conversar muito com a comunidade sobre as novidades, Matt reforçou que o processo é exatamente o contrário quanto o assunto está nos games clássicos.

Matt ficou muito feliz em saber que a comunidade brasileira espera ansiosamente por novidades em Warcraft 3.

Na parte online, há pontos que ainda precisam ser arrumados. Matt reforçou que eles estão trabalhando para trazer servidores melhores e suporte à widescreen já que muitos jogadores deixaram de entrar na Battle.net para jogar em outros locais com "ping" melhor, como W3 Arena.

Há também envolvimento com o balanceamento no jogo. Morris reforçou que estão conversando constantemente com a comunidade chinesa e o pessoal do Back2Warcraft para saber como está a situação do cenário profissional e saber que mudanças são as certas. "Não queremos fazer mudanças apenas pela necessidade de mudanças", comenta.

Diablo 2? Rock n' Roll Racing? E outros projetos?

"Não temos colocado muito trabalhado neles [os demais jogos clássicos], mas eu falo com outras pessoas na companhia sobre o lema que eu venho vivendo: 'todos os jogos chegam nos clássicos'. A Blizzard tem uma histórica rica nos videogames e a maioria das pessoas não sabe disso. Há fãs de Rock n' Roll Racing por aí, Blackthorne, The Lost Vikings, e nós estamos cientes deles. Periodicamente temos que fazer algumas coisas para manter nossas marcas registradas e se você for na sua conta da Battle.net e você pode achar Blackthorne por lá", lembrou Morris.

"Internamente nós sempre temos essas discussões, como podemos reinventar ele, podemos remasterizar ou há algo a mais para fazer. Como Rock 'n Roll Racing, a Blizzard não fez um jogo de corrida desde então. Esses tipos de discussão sempre são divertidas de ter", reforça.

"O que estamos fazendo em Diablo 2 e Warcraft 3 é ajustar o sistema atual e fazendo eles melhores para os aspectos de uma remasterização", explica Morris. "Se nós formos fazer um remaster, eu acho que é justo dizer que nós aprendemos muito com o processo de StarCraft", completa Bridenbecker na coletiva de imprensa.

Não queremos fazer mudanças apenas pela necessidade de mudanças.

"Nós olhamos StarCraft como nosso maior desafio", lembra Morris. "A comunidade é realmente purista com o jogo. 'Não mexa, não estrague o meu jogo. Vimos isso como nosso maior desafio e tivemos que pensar se realmente podíamos fazer isso", explica, reforçando que o objetivo era conversar muito com os fãs e fazê-los embarcar na ideia de que estão tentando ajudar a crescer o jogo.

"E quando falamos sobre Diablo 2, Warcraft 3, sabemos que o número de recursos é maior, mas todas as lições que aprendemos com StarCraft: Remastered vão tornar o caminho melhor conforme nos seguimos adiante, e se seguiremos adiante, com outros projetos", completa.

Além destes, foi possível perguntar um pouco sobre os demais games antigos, como Blackthorne, Rock'n Roll Racing ou mesmo The Lost Vikings. Mas a equipe não comentou que não há muito o que falar sobre eles. Stilwell e Bridenbecker concordaram que a equipe terá mais presença em mídias sociais com fóruns separados e oficiais, além de vídeos mais constantes falando sobre as novidades para as comunidades — então é bom saber que, com o tempo, muitas novidades podem vir por aí!

O The Enemy visitou a BlizzCon 2017 a convite da Blizzard.