Após pesadas críticas à tímida oferta de conteúdo de Star Wars Battlefront, lançado em 2015, a Electronic Arts e a DICE parecem ter entendido que fãs da saga não se contentam com pouco.

Star Wars Battlefront II promete ser muito maior que seu antecessor – três vezes maior, para ser exato – e parte importante disso fica por conta da estreia do modo campanha do game, que colocará o jogador no comando de Iden Versio (Janina Gavankar), comandante do Império e líder do Esquadrão Inferno.

Na EA, pude experimentar o prólogo e duas primeiras missões dessa que promete ser a grande novidades do título, que chega oficialmente no mês que vem.

Mas antes de continuar lendo aqui, vale o aviso: tentarei manter o mínimo possível de spoiler no relato – afinal, não estou aqui para estragar a experiência de ninguém com o jogo –, mas se você realmente quiser mergulhar de cabeça na campanha sem saber de nada, então atenção: ALGUNS SPOILERS ABAIXO. Segue o jogo.

As três fantasias de Star Wars em uma campanha

Com a campanha, a promessa dos produtores é entregar ao jogador a oportunidade de vivenciar as três fantasias de qualquer fãs da saga: a de ser um soldado, de ser um piloto e de ser um herói.

Mas mais do que isso: fazê-lo em uma das raras oportunidades em que fãs de Star Wars poderão vivenciar uma história contada do lado dos stormtroopers – não são só jogando como um membro do Império, mas olhando de perto as pessoas que compõem suas fileiras, suas motivações e no que elas acreditam.

Ainda assim, não se engane: pelo curto tempo que tive com o jogo, é possível notar: em Battlefront II, o Império ainda é o inimigo.

E isso começa pela própria protagonista do jogo: apesar de ter nascido e sido criada dentro do Império, vendo as transformações positivas que essa força trouxe ao seu planeta de origem e acreditando que este é o caminho correto, Iden Versio não é uma stormtrooper comum.

Iden tem capacidades que vão muito além de um mero bucha de canhão do Império. A comandante é treinada para pilotar naves, manejar diferentes tipos de armas, múltiplos equipamentos e tem trânsito dentro alto escalão do comando imperial – Garrick Versio, seu pai, é um dos almirantes das forças de segurança do governo. Tudo isso entrega uma experiência ao jogador completamente diferente daquela que seria a de um cidadão comum do Império, com uma visão ampla da tomada de decisões do governo imperial.

Divulgação/EA

E isso fica claro logo na primeira hora de jogo. Não há dúvidas que Iden acredita no que faz e acredita que representa a ordem e a paz – em oposição aos “terroristas” da Aliança Rebelde –, mas assim que o Império recebe o golpe que é a destruição da segunda Estrela da Morte, durante a Batalha de Endor, a série de eventos que segue parece colocar à prova a lealdade da comandante às últimas ordens do imperador.

Em uma campanha linear, a sensação que se tem ao atravessar a história com Iden é de se estar se jogando com uma espécie de “rebelde” com pele de imperial – o inimigos podem ser os rebeldes, mas o lado mais tenebroso da história, definitivamente continua sendo o Império. Conhecendo os horrores dos quais o Império é capaz, nós acompanhamos uma protagonista bem trabalhada que, ao poucos, parece começar a se questionar se luta pelo lado certo.

Esse sentimento de se estar lutando pelo lado errado é constantemente reforçado durante a história. Os comentários de soldados do império sobre a Aliança são sempre ríspidos e carregados de um discurso sombrio – fala-se em “esmagar a esperança da Aliança” e da impossibilidade de se trazer ordem sem trazer a galáxia à submissão – e agendas positivas da própria Iden, como resgatar tecnologias dos Rebeldes para reuso, são dispensadas por outros imperiais – que se recusam a usar tecnologis "inferiores".

Ao final do segundo episódio, há o momento em que podemos ver a ação do Império que definitivamente parece marcar a protagonista e aprofundar os questionamentos da personagem às decisões do Imperador: a chamada operação Cinder, que tem início com um ataque à Vardos, planeta de origem de Iden e uma região considerada leal ao Império.

Já deu de história! E o gameplay?

Se o prólogo e dois primeiros capítulos do jogo já deixam um gostinho de quero mais ao jogador, a jogabilidade é a parte importante disso.

Em termos de jogo, a campanha de Star Wars Battlefront II não se afasta muito do que a série oferece no modo multiplayer ou de um FPS tradicional: Versio tem à sua disposição uma série de armas conhecidas por jogadores, além de cartas de habilidades que também são retiradas desse modo de jogo – com a grande vantagem que aqui nenhuma delas depende de microtransações para ser desbloqueada.

A cada início de missão, o jogador tem habilidades pré-definidas que são julgadas como o setup “ideal” para o desafio que seguirá. Logo no princípio de cada trecho à pé, no entanto, é possível encontrar uma caixa de itens que dá o acesso aos equipamentos de Iden e permite que o jogador escolha outras armas e mude os seus cards de habilidade, adaptando a personagem às suas preferências de jogo.

Divulgação/EA

Entre as habilidades, inclusive, estão velhas conhecidas e algumas novidades: há, por exemplo, o conhecido e bem útil scanner, que revela inimigos ao redor do jogador, mas também granadas de fragmentação, escudo pessoal, um pulso eletromagnético que desativa armas inimigas e até o Vanguard, uma espécie de calibre doze destrutiva que dura um tempo limitado, mas continua ativa enquanto você continuar matando inimigos.

Vale destacar também o simpático ID-10, robô companheiro de Iden que faz o papel de R2-D2 ou BB-8 da vez e é capaz de ajudar a protagonista abrindo portas, interagindo com objetos e dando uma poderosa descarga elétrica que pode eliminar inimigos em área. Muito bem-vindo em momentos no qual você parece cercado por rebeldes por todos os lados.

Assim como a diversidade de equipamentos, o título traz uma boa diversidade de desafios durante as missões, que garantem que o jogo não se limite à andar, andar, atirar, ouvir diálogos expositivos, andar, andar, atirar e assistir à animação cinemática do fim da missão.

Logo no prólogo, o jogador se encontra em uma espécie de missão de infiltração, em que Iden é propositalmente capturada para deletar arquivos encontrados pelos Rebeldes sobre a posição da frota imperial. Em um misto de tutorial e missão furtiva, a fase usa elementos de abate silencioso e se ocultação que nem sempre vistos neste tipo de jogo

Na missões seguintes, a variedade de desafios persiste: há trechos em que é necessário armamento pesado para se enfrentar um AT-ST roubado por rebeldes, trechos em que se deve defender um ponto fixo do mapa contra ondas de inimigos, e – é claro – trechos Rambo em que só é preciso enfiar o dedo no gatilho para remover toda a escória rebelde do caminho.

Aliás, aqui é necessário também fazer um elogio aos trechos de combate espacial do jogo. Bem integrados ao restante da história, as missões em que Iden embarca uma TIE fighter são um respiro ao combate “pé no chão” e bem costuradas com a história – apesar dos controles das naves parecerem um tanto “duros” e lentos quando comparados ao de jogos dedicados do gênero, como Elite: Dangerous.

Essa diversidade de equipamentos, habilidades e tipos de desafios do modo história é o que promete trazer algum “fator replay” a campanha. Afinal, com a promessa de algo entre quatro e sete horas de jogo, a história será linear e não dependerá de decisões do jogador para evoluir, o que poderia limitar a experiência a uma só aventura caso não trouxesse uma boa diversidade de elementos de jogo.

Divulgação/EA

Ao final do período de jogo, é possível atestar com tranquilidade que, ao menos nas primeiras missões, Star Wars Battlefront 2 é capaz entregar na promessa de realizar o sonho de fãs de Star Wars se torná-los soldados e pilotos no universo da Saga.

E quanto ao último item da lista, ainda precisaremos aguardar um tempinho para descobrir como o jogo se comporta. Determinada e questionadora, não há dúvidas que Iden é uma grande heroína (ou antiheroína) e adição à Saga, mas os aguardados momentos em que em que poderemos jogar como Luke Skywalker e Kylo Ren – bem, estes ainda permanecem um segredo.

Star Wars Battlefront II sai em 17 de novembro para PlayStation 4, Xbox One e PC.