Nos últimos quatro anos, você, provavelmente, ouviu alguém brincar com a ideia de que a E3 acabaria no ano seguinte. Bom, os que disseram isso em 2022 estavam certos, já que a Entertainment Software Association (ESA), responsável pela organização do evento, decretou o fim da Electronic Entertainment Expo nesta terça-feira, dia 12 de dezembro de 2023.

Ao redor de todo o mundo, fãs de jogos manifestaram frustração em relação ao fim de uma tradição da indústria que fez sentido por muito tempo... Até que deixou de fazer. Por mais divertido que alguns fãs pudessem considerar o ato de acompanhar, realmente, a E3, é difícil justificar a existência do evento na década de 2020, ainda mais depois do mundo inteiro ter passado pela pandemia do COVID-19.

Um novo mundo

Pôster de Kingdom Hearts na E3.

De acordo com o próprio Stanley Pierre-Louis, CEO da ESA, por mais que a E3 tenha contado com a presença de visitantes nas edições mais recentes, desde 2017, a alma do evento estava nas oportunidades de negócios e visibilidade oferecidas a estúdios e distribuidoras por meio de um lugar no qual estavam concentrados os principais agentes do mercado. Quando isso deixou de ser necessário para as empresas, a E3 se tornou apenas mais um evento, por mais que a marca carregasse toda uma história.

"Houve fãs que foram convidados a participar nos últimos anos, mas realmente se tratava de um modelo de marketing e negócios para a indústria e de fornecer informações ao mundo sobre novos produtos", disse o CEO da ESA ao The Washington Post. "Agora, as empresas têm acesso aos consumidores e às relações comerciais por meio de diversas formas, incluindo seus próprios eventos individuais."

Em outras palavras, era inevitável que a E3 acabasse. Durante a própria pandemia do COVID-19, não faltaram eventos organizados pelas próprias grandes empresas do mercado, como inúmeros Nintendo Directs, Xbox Insides e States of Play, que foram se consolidando no imaginário do público como as novas alternativas para obter informações. Deixou de haver uma semana específica em que diferentes empresas contavam com apenas algumas horas para apresentar os próprios produtos — elas passaram a organizar a própria comunicação da maneira que achavam mais vantajosa, simplesmente.

Eventos que se tornaram referência

Geoff Keighley no TGA.

Em meio a tudo isso, surgiram ainda outras marcas de eventos de jogos que se tornaram poderosas: o The Game Awards (TGA), cuja primeira edição ocorreu em 2014, e o Summer Game Fest, iniciado em 2020 como uma alternativa online aos eventos que foram cancelados naquele ano (E3 e Gamescom), ambos idealizados por Geoff Keighley, que se tornou o principal nome da indústria quando falamos em eventos de games.

Se analisarmos cada um desses eventos mais recentes individualmente, não é difícil entender como eles continuam vivos mesmo que a E3 não tenha conseguido se manter.

O TGA, por exemplo, decidiu se vender como o "Oscar dos games" ao se aliar aos principais veículos especializados na cobertura de jogos ao redor do mundo, cujos integrantes formam um júri que elege os vencedores. Trata-se de um tipo de proposta que interessa à imprensa, à organização e a potenciais anunciantes, já que rende muita audiência e envolve nomes importantes. PlayStation, Xbox e Nintendo não precisam do TGA como um dia talvez tenham precisado da E3, mas as três gigantes também não têm motivo para fugir do evento, que tende a ser benéfico para cada uma delas.

O Summer Game Fest, por outro lado, embora talvez não seja tão notável quanto o TGA, já que é muito mais novo, nunca buscou conquistar a mesma relevância que uma E3. É um período de anúncios, sim, mas não se trata de uma temporada focada nas grandes empresas. A maior parte dos anúncios vem de estúdios com alcance menor, que precisam de uma ajuda na divulgação das próprias criações.

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A E3 talvez traga uma sensação de nostalgia para o público mais velho, que viu esse evento nascer e se desenvolver até o ponto ao qual chegou; talvez se trate até mesmo de uma marca idealizada por pessoas mais jovens, como uma espécie de clássico da indústria, embora eu com certeza não me encaixe nesse grupo que sente algum apego ao evento. Fato é que os tempos mudaram. Não há mais necessidade para que exista a E3. Ainda assim, o legado do evento permanece gigante.


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