Antes de contar como foi minha experiência jogando o modo singleplayer de Metal Gear Survive, tenho uma pergunta muito importante pra lhe fazer: você é um grande fã da franquia Metal Gear? Pergunto isso porque dependendo da sua resposta e do quanto você está na espera desse novo game, sua experiência pode ser bem frustrante ou não. Eu explico mais pra frente.

Para começar, vale lembrar que todas as mecânicas e gráficos incríveis que conferimos em Metal Gear Solid V: Ground Zeroes e Metal Gear Solid V: The Phantom Pain estão presentes aqui, tudo isso graças ao também uso da Fox Engine como motor gráfico para esse game. Oferecimento, Hideo Kojima, diga-se de passagem.

Vamos ao mote desse novo jogo, que como todos já sabem, se trata de um derivado de Metal Gear Solid V: Ground Zeroes. O game começa exatamente após os acontecimentos de GZ, onde um enorme “buraco de minhoca” - teoria matemática que vislumbra a possibilidade de se criar um atalho ligando dois lugares diferentes em termos de espaço e tempo - surge em cima da Mother Base sugando para dentro dele e jogando para uma realidade paralela tudo e todos que estavam alí. Realidade paralela essa que se assemelha a um grande deserto com diversos estruturas da Mother Base espalhadas pelo local, pelo menos nessa primeira missão.

Mas dentro dessa loucura toda, quem comandaremos no jogo? A resposta é simples: um dos soldados que foram sugados para essa realidade paralela e que terá de fazer de tudo para sobreviver, como o próprio título do jogo já nos diz, além de tentar sair desse universo inóspito e voltar para o nosso mundo. Nesse primeiro momento, pelo menos nessa versão do jogo que experimentamos, o game nos dá quatro opções pré customizadas de personagens para escolher, sendo dois homens e duas mulheres, um negro e um branco para cada sexo.

Crédito: Konami/Divulgação

Tendo sido apresentados a história e ao personagem que viveremos através de cutscenes, o nosso primeiro contato comandando o nosso personagem se dá em uma espécie de base central onde você passará boa parte do tempo e será seu porto seguro dentro desse universo paralelo cheio de inimigos, aos quais comentarei mais para a frente.

Nessa base somos apresentados ao Virgil AT-9, espécie de robô com inteligência artificial, que além de nos nortear quanto aos rumos de onde temos de ir e o que temos de fazer, ainda serve como base para sincronizarmos toda a informação que trazemos de volta a base com o intuito de sair dali.

Além de Virgil, outro personagem presente na base - e com quem interagiremos bastante, diga-se de passagem - é o soldado Reeve, que pouco antes de ter sido sugado junto com nosso personagem, quase tira a vida do mesmo. Até onde jogamos na história não deu para sacar muito sobre ele, mas acredito que terá papel fundamental no decorrer da trama.

A primeira coisa a nos atentarmos e a qual foi chamada bastante atenção em nossa sessão com o game, foi a necessidade de se ficar permanentemente ligado em três atributos de nosso personagem: sede, fome e oxigênio. Sim, o jogo é realmente um survival com elementos que já vimos em tantos outros games. A premissa básica então, saiba você, não muda: monitore suas necessidades básicas, evolua seu equipamento e sua base central, gerencie seus artefatos e não se esqueça de distribuir seus pontos de habilidade para evoluir o personagem.

Mas voltando a base em si, nela se encontram diversas mesas com diferentes funcionalidades cada. Uma para armas, outra para gadgets e roupas, uma para artefatos de defesa como sacos de areia ou grades, uma para os alimentos em geral e uma para evolução e administração da própria base em si e para criação de outras mesas mais evoluídas. Todas elas com a possibilidade de se criar, reparar e fortalecer os elementos aos quais estão vinculadas.

Metal Gear Survive
Konami/Divulgação

Conhecida a base em si, foi hora de nos aventurarmos em uma primeira missão que nos foi orientada pela própria Virgil. Aliás, a voz da robô nos segue e alerta a todo o momento o quão importante é se alimentar e beber água para que o personagem não morra. Algo engraçado que achei nesse quesito, é o fato de que todas as vezes que a barra de fome ultrapassa os 20% e começa a deixar o personagem em situação crítica, um som de alarme em forma de estômago roncando é acionado. Meio bizarro. A princípio pensei que pudesse ser algum animal se aproximando do meu personagem, mas confesso que depois que me dei conta do que se tratava, comecei a achar divertido.

Voltando a primeira missão em si, ela é bem simples e funciona como tutorial, onde você basicamente tem de ir até um lago próximo coletar água e matar sua sede inicial, além de caçar algumas ovelhas que estão por alí também. Feito isso, ao se voltar para a base, é possível cozinhar a carne coletada para potencializar seu efeito de saciedade da fome, além de já poder utilizar alguns dos materiais coletados na redondeza do lago para criação de armas.

Começamos com uma espécie de cano afiado, que além de poder ser evoluído, sofre dano quando utilizado, portanto já deu para perceber que será sempre bom ficar ligado na porcentagem de durabilidade das suas armas. Das opções que conseguimos criar e utilizar nessas pouco mais de 2 horas de gameplay, tínhamos esse cano citado acima, um machete e uma pistola de fogo, que somente foi coletada na parte final da experiência. Quanto aos itens secundários, consegui criar desde uma espécie de granada chamariz para os zumbis a coquetéis molotov. Já a respeito dos artefatos de defesa, foi possível criar cercas e sacos de areia predominantemente, mas é sabido que temos muitas outras possibilidades como poças de óleo, por exemplo, onde os zumbis podem ser colocados para escorregar e não conseguir avançar em sua direção, enquanto você os elimina.

Falei um pouco das ovelhas que encontrei na primeira missão, mas também existem outras espécies de animais para serem coletados, como ratos, lobos, carneiros, etc, cada um com sua porcentagem de carne e dificuldade ao serem abatidos.

E falando ainda em coleta, podemos pegar pelo mapa desde plantas, que serão utilizadas para criação de remédios, - isso caso vc tenha ingerido água ou comida estragada ou ainda esteja sofrendo de alguma hemorragia por conta de um ferimento ocasionado por um inimigo - a objetos variados que nos fornecerão ferro, madeira ou outro elemento para confecção de armas e utensílios de defesa. Vale ressaltar ainda a coleta de “Kuban”, espécie de cristal energético que além de poder ser coletado em plantas no meio do mapa, ainda podem ser coletados ao abater os inimigos zumbis que surgem pelo seu caminho. Sim, zumbis. E será só sobre eles que irei comentar agora.

Metal Gear Survive
Konami/Divulgação

Os inimigos no game são sim zumbis cristalizados, que além de serem encontrados perto das missões principais do game, podem ser encontrados vagando pelo mapa em geral. Eles não fogem dos zumbis clássicos que já conhecemos e tem movimentação coerente, lenta e que somente se torna agressivo ao avistá-lo ou ouvi-lo, por isso em algumas situações vale a premissa e abordagem clássica da franquia Metal Gear, que é utilizar o método stealth para evitá-los e concluir sua missão. Confesso que em determinado momento do game me vi entediado ao repetir por inúmeras vezes o mesmo movimento para abater zumbis, que apesar de não serem difíceis, garantiriam uma boa coleta de Kuban. Nada que um game com foco no survival não tenha, aliás.

Como já havíamos jogado o modo multiplayer do game na E3 2017, sabemos que existem mais tipos de zumbis, porém os mesmos não apareceram nesse começo de campanha. Acredito que com o progresso da campanha, tais zumbis apareçam, como é o caso do zumbi que explode ao ser abatido e de outros com diferentes armaduras, consequentemente mais difíceis de serem derrubados.

Vale ressaltar que as missões de coleta de animais e plantas para se alimentar são as missões secundárias, pois as missões principais, pelo menos nesse começo do jogo, foram basicamente a busca por outros computadores, espécies menores da Virgil, para coleta de dados e informações a respeito de como todo esse universo paralelo surgiu e de como sair dele.

Quanto a jogabilidade, não senti qualquer dificuldade quanto aos controles, uma vez que como já disse lá em cima, são exatamente as mesmas mecânicas dos jogos anteriores. O que me impressionou mesmo foram as inúmeras possibilidades quanto a criação de novos objetos e possibilidades dentro do game. Além de poder customizar o seu personagem, ou mudar a aparência daquele previamente escolhido por você, de inúmeras maneiras graças a excelente Fox Engine, acho interessante contar que toda evolução do personagem e itens que são criados no modo singleplayer podem ser utilizados no modo multiplayer e vice-versa.

Não falei sobre o oxigênio e como utilizá-lo, certo? Pois é, apesar de no começo não precisarmos dele, afinal a atmosfera de nosso novo lugar ao qual fomos jogados é respirável, ele é parte essencial da evolução do jogo, uma vez que a campanha se desenvolve para dentro de uma área coberta de uma densa névoa de poeira, onde além da dificuldade de visão, nosso personagem não consegue respirar e por isso tem de adquirir um tanque de oxigênio que passa a ser um dos itens a ser monitorados todo o tempo junto com fome e sede.

Metal Gear Survive
Konami/Divulgação

Minha experiência terminou logo após o avistamento de mais uma abertura de buraco de minhoca acontecer no céu e jogar para dentro dessa realidade paralela um helicóptero em chamas. A partir daí nos deu a entender que nossa missão seria ir de encontro ao local do impacto para vasculhar sobreviventes e outros itens que pudessem nos ajudar no decorrer da história.

Perguntada sobre alguns aspectos específicos do novo jogo, a Konami nos confirmou que ele chegará com legendas e menus em português, terá um sistema de recompensas diárias e eventos especiais dentro do game, além da necessidade do jogador estar 100% online, uma vez que todos os dados e progressões da campanha e compartilhamento com o multiplayer serão feitos na nuvem. Questionados a respeito das polêmicas loot boxes, elas existirão, porém somente com foco nas questões cosméticas, nada que realmente modifique a experiência do jogador ou crie vantagens para ele durante a jogatina.

Enfim, qual foi minha impressão sobre o jogo? Não se trata de um jogo ruim como muitos já o estão taxando, muito pelo contrário, pelo que pude experimentar, trata-se de um jogo bom (longe de ser excelente) que pode render boas horas de diversão tanto no modo singleplayer quanto no modo multiplayer, que aliás, fica bem divertido quando jogado com amigos. Se você curte survivals, acho interessante dar uma chance.

Se você é um fã incondicional de Snake, Big Boss e cia, não acredito que irá te empolgar muito e talvez seja melhor nem visitá-lo para não se decepcionar. A Konami poderia ter utilizado toda essa mesma roupagem e criado uma nova IP ao invés de ter utilizado o nome Metal Gear só para cutucar seu criador como parece? Sim, mas isso não é motivo suficiente para crucificarmos um game com grande potencial de agradar os jogadores menos conhecedores da franquia.

A empresa já confirmou que o game não chega ao mercado americano com preço cheio, os tradicionais US$ 60 dólares. Por lá, o título chega por US$ 40, e a diferença de preço provavelmente será respeitada no Brasil também. O beta do game, que recomendo profundamente para quem está pensando em comprar ou não o jogo, vai de 18 a 21 de janeiro somente com o modo multiplayer.

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O game chega para PlayStation 4, Xbox One e PC no dia 20 de fevereiro com legendas e menus em português.

*O jornalista viajou a Los Angeles a convite da Konami