O iPhone 8 não chamou tanta atenção quando foi apresentado pela Apple neste ano e – convenhamos – com razão: o iPhone X foi e continua sendo a estrela da empresa. Mas  isso não significa que ele seja insignificante.

Mesmo sem o módulo de câmeras duplas, sem display infinito e outras graças do iPhone X, o iPhone 8 traz uma boa quantidade de novidades e vale uma olhada com atenção por quem está procurando investir, sobretudo, em um dispositivo confiável.

Corpo

Gabriel Pereira/The Enemy

Em termos de design, não há quase nada de novo no front do iPhone 8, já que a Apple resolveu manter praticamente o mesmo formato dos modelos do ano passado nessa nova geração – o que, convenientemente, significa que a suas capinhas do 7 vão encaixar no 8.

A principal mudança fica por conta da traseira em vidro, que é uma adição obrigatória para  – finalmente – tornar o dispositivo capaz de suportar carregamento sem fio no padrão Qi.

Na versão prata do smartphone, em específico, essa mudança não parece trazer pontos negativos, mas nós sabemos que smartphones com traseira em vidro são bem convidativos para manchas de digital – então, caso você opte pelo iPhone 8 com acabamento em preto, se prepare.

Com laterais em metal e 4,7 polegadas de dimensão de tela, o iPhone 8 é, novamente, um dispositivo leve e confortável de se manusear, ainda que um pouco mais escorregadio do que modelos antigos por conta do vidro traseiro.

Já é um design datado? Bem, sim.

Com exceção de pequenas mudanças, como a certificação IP67, esse design é recorrente desde o iPhone 6 e já está começando a ficar cansativo.

Mas, não há como negar que ele continua sendo um design agradável para muita gente. Além de que, muito provavelmente, esse será o último dispositivo a seguir essa linha, já que o iPhone X já nos mostrou qual deve ser a nova cara dos iPhones no futuro.

Então, isso não chega a ser necessariamente um problema.

O display continua sendo um dos melhores disponíveis em smartphones na atualidade, ainda que seja IPS LCD, e não OLED como o iPhone X.

Vale ressaltar também a nova tecnologia True Tone, vinda com o iOS 11, que ajusta o brilho da tela automaticamente conforme a iluminação ambiente e ajuda bastante no consumo de texto e vídeo no dispositivo.

Falando em reprodução vídeo – e, mais especificamente, em áudio do vídeo – a Apple, é claro, continua insistindo no erro dos dispositivos sem entrada P2, mas traz uma boa combinação sonora estéreo com o alto-falante inferior e com o alto-falante superior.

Hardware

Gabriel Pereira/The Enemy

Por baixo do capô, o modelo vem com o mesmo processador A11 Bionic do iPhone X e iPhone 8 Plus – que é um verdadeiro monstrinho. Algo além dos 2 GB de memória RAM seria uma boa pedida, mas, em geral, isso também não é um problema sério.

Você não vai sentir muita diferença na navegação do dia-a-dia do dispositivo: seja para produtividade ou jogos, ela está tão fluida e ágil quanto já era no iPhone 7.

Mas para tarefas um pouco mais exigentes, como edição de vídeo e imagens – algo que costumamos fazer bastante aqui no The Enemy – as melhorias são notáveis.

Outra capacidade que tirar proveito do novo processador são os recursos de realidade aumentada.

É verdade que Pokémon GO continua sendo o único grande caso de sucesso da tecnologia, ma, com o novo ARKit, a Apple promete dar uma movimentada nesse mercado e uma boa quantidade de experiências com a tecnologia já estão disponíveis no iPhone 8.

Partindo para um último aspecto importante do hardware, precisamos ainda falar da bateria do iPhone 8. Com 1821 mAh, a célula de combustível do smartphone é MENOR que os 1960 mAh oferecidos no iPhone 7 – o que, logo de cara, já deixaria qualquer um preocupado.

Mas, surpreendentemente, a empresa parece ter feito um bom trabalho de otimização no smartphone, que não está durante menos. Mas também não dura mais.

No geral, a experiência que tivemos com o modelo é bem semelhante à oferecida pelo iPhone 7 no ano passado: após um dia normal de trabalho, que inclui navegação por sites, redes sociais, vídeo e streaming de música no 4G e no Wi-Fi, o iPhone 8 chegava em casa próximo aos 20% - o que não é um resultado particularmente empolgante.

Câmera

Gabriel Pereira/The Enemy

Saindo dos aspectos de hardware e software, vamos à câmera dos iPhone 8 que tem como principal problema esse substantivo aí no singular. Em 2016, um smartphone na faixa de preço do iPhone 8 sem câmera dupla já levantava sobrancelhas, mas ainda não era um problema.

Mas neste ano, é cada vez maior o número de smartphones que embarcam a tecnologia – até mesmo entre modelos intermediários – o que já gera uma expectativa em consumidores.

Apesar de continuar sendo solitária, a câmera do iPhone 8 ainda é uma das melhores disponíveis hoje em um smartphone. Com 12 megapixels e abertura focal de 1.8, o modelo faz ótimas imagens em ambientes claros e escuros, com boa nitidez e fidelidade de cores. O mesmo vale para a câmera frontal do dispositivo, que traz 7 megapixels.

Por conta da câmera única, não espere fotos com modo retrato e efeitos especiais por aqui, no entanto. O mais próximo que você poderá chegar disso é com as novas capacidades de vídeo 4K a 60 quadros por segundo e o slow motion melhorado, que agora pode fazer 240 fps em 1080p.

Vale o investimento?

Gabriel Pereira/The Enemy

Lá no começo deste review eu falei sobre o iPhone 8 ser um dispositivo confiável: e esse eu acho que é o ponto mais importante dele. Ele não é inovador, mas, na verdade, ele não precisa ser inovador – essa responsabilidade está na mão do iPhone X.

O iPhone 8 empacota tudo que se espera de um smartphone de topo de linha: ótima câmera, hardware de ponta que casa perfeitamente com o sistema operacional, e a uma interface e desempenho são difíceis de criticar.

Mas, assim como todo smartphone da Apple, essa confiabilidade tem um preço: um preço que continua sendo altíssimo e fator limitador para. Aqui no Brasil, ele chega com preços a partir de R$ 3.999, o que é uma dinheirama que deixa ele longe do alcance de muita gente.

Ainda assim, se você tem os bolsos fundos necessários para encarar o iPhone 8, ele é o que de melhor há hoje no mercado se você está disposto a abrir mão de elementos como câmeras duplas, a entrada de fone de ouvido de e todas as novidades do iPhone X. 

Nota do crítico