A ascenção recente de jogos indies trouxe consigo uma renassença para jogos de terror. O potencial para vídeos engraçados no YouTube, aliado com o fato de que rodam em praticamente qualquer computador, tornaram jogos como Five Nights at Freddy’s, Amnesia: The Dark Descent e Outlast extremamente populares. O formato é o mesmo, terror em primeira pessoa com combate mínimo. Você deve correr, explorar e se esconder para sobreviver alguma ameaça sobrenatural. Até produções milionárias como Alien: Isolation se renderam ao formato. 

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Mas um indie relativamente desconhecido que saiu no fim do ano passado foge do padrão. The Vanishing of Ethan Carter praticamente não tem sustos, não é difícil e você raramente vai se sentir em perigo mortal enquanto o joga. Se Outlast é algo parecido com a série de filmes “[REC]”, Ethan Carter se assemelha muito mais aos do livro do lendário escritor H.P. Lovecraft. Em outras palavras, você pode não pular da cadeira por tomar um susto a cada 15 minutos, mas você não vai querer descobrir o que tem dentro daquela caverna.

Vamos dar um passo pra trás. O que é The Vanishing of Ethan Carter? No jogo tomamos controle de um detetive particular chamado Paul Prospero, sua especialista é lidar com o oculto, e quando vai a uma pequena e solitária cidadezinha no meio do nada para investigar o desaparecimento de um menino chamado Ethan, é isso que encontra. Através de Prospero, nós devemos reconstruir uma série de acontecimentos a partir de pistas nas cenas dos crimes e descobrir onde Ethan está. Obviamente as coisas não ficam simples e logo logo percebemos que entramos num buraco bem profundo.

O que torna algo realmente assustador é a sua atmosfera. Susto é fácil, barato e qualquer um faz. Mas criar um clima que deixa o jogador de olhos arregalados a todo momento? É aí que está a mágica. Assim como as histórias de Lovecraft, o pavor que The Vanishing of Ethan Carter causa está no ar, na forma verdadeiramente estranha como ele desenvolve as diversas situações encontradas na narrativa. É difícil entrar em detalhes sem entregar o que acontece, muito do que tornou o jogo uma experiência memorável é ser pego de surpresa pelo que você encontra. Mas digamos que Cthulhu ficaria orgulhoso das criações da desenvolvedora The Astronauts

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Chamamos esse estilo de narrativa de terror cósmico, ou “weird fiction”. Traduzindo, as coisas são realmente estranhas e não tente prendê-las num mundo realista, Ethan Carter não está interessado nisso. O jogo é, essencialmente, uma série de quebra-cabeças a serem solucionados e a narrativa segura seus segredos até o último segundo. Consequentemente, você sempre se sente como um homem caminhando no desconhecido, e se tem uma coisa que nos assusta, é aquilo que não conhecemos ou entendemos. 

E para tornar as coisas ainda melhores, essa bizarra narrativa é contada no melhor estilo Gone Home possível. Só que aqui, ao invés de uma casa, temos uma pequena cidade. O jogo não segura sua mãe, ele te joga num ambiente e diz “se vira”. A ordem na qual você resolve os casos e vai desvendando o mistério de Ethan pode ser totalmente da ordem na qual eu resolvi.

O ambiente conta a história, e exploração e curiosidade são seus maiores aliados na busca pela verdade. Mas não se preocupe, terminar The Vanishing of Ethan Carter não vai levar mais de quatro horas, graças ao inteligentíssimo design de level da The Astronauts. Cada área é interligada de forma invisível, seus olhos sempre vão se deparar com algo novo e a sua progressão pelo mapa vai ser natural. O jogo te guia sem que você perceba construindo avenidas entre cada um dos seus pontos chaves. 

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O maravilhoso contraste dos horríveis atos que recheam a história de Ethan vem através dos belos visuais do jogo. The Vanishing of Ethan Carter é lindo, tanto quando falamos do quesito gráfico do jogo, quanto das suas vistas. Qualquer screenshot serve de papel parede e essa beleza torna as ocorrências sombrias ainda mais alarmantes. 

Para melhorar, um rápido passeio pode te levar da beira de um belo rio até um túnel estranho e escuro, com barulhos desconhecidos vindo de dentro e sombras ao seu redor sussurando. A pergunta que fica é: ao encontrar com o oculto, você dará um passo pra frente?

*Na seção Programa de Indie, os redatores do Omelete indicam jogos criados por produtoras independentes. Deixe a sua opinião e compartilhe outros games nos comentários!