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Krinkle Krusher, independente dos seus méritos ou erros, é um jogo que devemos celebrar. É o primeiro título brasileiro a ser lançado no PlayStation 4. Ele marca a estreia do Brasil nesta geração, e o dá início ao que deve ser uma ótima fase verde e amarela nos games. Com jogos como Aritana, Super Doomed’n Damned, Ninjin: Clash of Carrots e Chroma Squad a caminho do PS4 e do Xbox One nos próximos meses, a representação da nossa nação no mercado de consoles só irá melhorar.

Desenvolvido pela Ilusis Interactive, Krinkle Krusher é um indie de tower-defense, ou seja, onde você deve defender sua base de hordas e mais hordas de inimigos. Aqui eles se chamam Krinkles, e comem tudo que veem pela frente. Como você pode suspeitar pelo nome, sua missão é amassá-los. Para isso, você deve usar anéis mágicos que te disponibilizam ataques de relâmpagos, fogo e outras magias, e a primeira jogada inteligente da Ilusis é quem usa esses poderes. É comum usar luvas apontando ou setinhas como cursor em jogos deste gênero para selecionar onde será o seu ataque, e aqui há quase um metacomentário sobre esta tradição.

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A “pessoa” que você usa para combater as invasões de Krinkles na verdade é uma luva com vida própria, vestindo tais anéis, e defendendo a cidade. Ela foi criada por um mago no melhor estilo Gandalf - esperem uma referência ao “You shall not pass” de Senhor dos Anéis nos primeiros minutos - e é super convencida. O humor de Krinkle Krusher é charmoso, as referências à cultura pop são inteligentes, e a história parece brincar com si mesma. Os Krinkles literalmente comem tudo que veem pela frente, e por isso contam com uma boca enorme, dentes metálicos e saem malucos atrás de comida. Os design de personagens, aliados dos gráficos semelhantes a desenhos animados e uma simpática trilha sonora criam uma divertida atmosfera para o jogo.

Entretanto, as coisas complicam quando o assunto é o gameplay. Krinkle Krusher tem todos os elementos naturais de um tower-defense, mas sinto falta de um grid para guiar o cursor pelo mapa, os ataques, mesmo quando certeiros, não parecem ser precisos. Isso fica mais complicado ao levar em conta a câmera, que deve ser levada de um lado ao outro da arena de combate para ver tudo com clareza. Entendo a ideia, é interessante poder acompanhar os Krinkles de perto movendo a câmera, mas confesso que preferia algo mais amplo, me permitindo ver tudo. Mover o campo de visão significa mais uma tarefa que deve ser levada em conta num gênero de jogo onde já é necessário prestar atenção em muita coisa ao mesmo tempo.

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Nada disso quebra Krinkle Krusher, mas o torna mais complicado do que devia ser. Esse é um jogo que tem um grande potencial de ser um vício, mas eu tenho certeza de que algumas pessoas não serão incomodadas pelos pontos que citei acima, e vão, de fato, ficar fissuradas no jogo. Este potencial era maior no PS Vita, que é casa para diversos indies bons, mas nele, a mecânica de usar os poderes é limitada ao touchscreen, o que é ótimo para quem é veterano de smartphones ou tablets, mas creio que funcionaria melhor com botões e analógicos.

No fim do dia, creio que as pessoas que mais gostarão de Krinkle Krusher são aquelas que o jogarão no PS4, ou PS3, onde ele também está disponível. É neles que os controles são mais precisos, apesar da natureza do jogo ser perfeita para um portátil.

Krinkle Krusher foi lançado para PS3, PS4 e Vita em 7 de abril.

*Na seção Programa de Indie, os redatores do Omelete indicam jogos criados por produtoras independentes. Deixe a sua opinião e compartilhe outros games nos comentários!