Star Wars: Empire at war
Electronic Arts
3,5 ovos

O lançamento de Empire at war supre um vácuo da saga Star Wars nos videogames: a ausência de bons jogos de estratégia ambientados no universo criado por George Lucas.

O novo produto lembra bastante o antigo Star Wars: Rebellion, mas sem as suas limitações. Empire at war aproveita idéias da estrutura do antecessor e insere inovações apetitosas aos fãs, como a utilização efetiva dos heróis e vilões da saga (antes eles apareciam só para cumprir missões e não eram empregados em combate), cada um com habilidades e poderes únicos.

Mas esse é apenas um entre diversos méritos do game. Pra começar, ele realmente consegue transmitir a atmosfera dos filmes - seja nas lutas espaciais, nos consoles ou nos confrontos em terra - através de sons, bons modelos poligonais e efeitos visuais. A textura é o ponto fraco, mas algo facilmente contornável se deixarmos mais distante a visualização dos confrontos.

As unidades de combate funcionam exatamente como no cinema: stormtroopers andam em formação, são disciplinados e implacáveis. Soldados da Aliança, caminham um tanto dispersos e são altamente motivados. X-Wings e Tie Fighters engalfinham-se em batalhas aéreas acirradas, circulando as grandes naves como os destroieres imperiais. Aliás, quando um desses veículos gigantes é derrubado ele fornece um verdadeiro espetáculo - a nave se parte aos poucos, perdendo funções técnicas e gerando escombros, tudo com altas doses de pirotecnia.

Não é só no combate que a aventura se sustenta, porém. Todos os aspectos administrativos que os fãs do gênero apreciam estão presentes e são determinantes na conquista da "galáxia muito, muito distante". Distribuir bem as frotas, forças terrestres e de ocupação e administrar recursos - fábricas, minas, estações espaciais - é até mais importante que ter um bom desempenho nos confrontos (aliás, o jogo permite que você pule o quebra-pau se preferir, deixando o computador definir o vencedor). Outras estruturas, como Cantinas e Palácios Hutt, incrementam as opções, gerando heróis menores, personagens que dão bônus às tropas ou são capazes de missões específicas, mas não têm os mesmos superpoderes dos heróis principais.

Lados distintos também exigem mentalidades diferentes na hora de preparar sua estratégia de conquista. Os Rebeldes da aliança são furtivos, podem driblar forças planetárias em órbita e detêm muita informação - obtida através de espiões, que também roubam planos e avanços técnicos. O Império faz uso da força, gera grandes números de tropas e cria a tecnologia. Empregar bem os personagens principais também é indispensável. Por exemplo, o mercenário Boba Fett pode ser usado em missões de sabotagem a bordo da Slave II, preparando o terreno para uma invasão maior. Os andróides R2D2 e C2PO podem converter estruturas, transformando um canhão do império em aliado. Darth Vader usa seus poderes devastadores para causar enormes danos em pelotões inteiros e assim segue...

Enfim, a autenticidade do universo está presente, mas existem alguns problemas com o jogo. Há uma história de fundo no modo Campanha que pouco empolga, algo que deveria ser bastante diferente, já que estamos falando de uma das maiores e mais conhecidas sagas da sétima arte. A dos Rebeldes é um pouco melhor, já que segue eventos que ocorrem paralelamente aos filmes Uma nova esperança até O retorno de Jedi, mas a do Império gira em torno de Vader tentando descobrir um espião em suas tropas. Além disso, os mapas são pouco interessantes e não permitem o bom emprego do terreno na definição de estratégias de combate mais elaboradas que o quebra-pau descerebrado.

Vale a pena também conferir os modos de jogo mais rápidos - com mapas reduzidos da galáxia e objetivos simples -, bem como envolver-se num game online.

Enfim, Star Wars: Empire at War chega repleto de estilo e boas intenções, mas torna-se cansativo após algumas horas, quando o peso dos problemas com a estratégias das batalhas em solo começa a aflorar. Nesse ponto, a ação começa a parecer repetitiva. Felizmento, como um bom contraponto está o desejo de conhecer - e controlar - os heróis da saga, que são liberados aos poucos. De qualquer forma, um bom entretenimento para os fãs da trilogia original.