Não seria fenomenal poder trocar e-mails com David Bowie e conversar, por exemplo, a respeito das vantagens e desvantagens de envelhecer? Ou quem sabe, trocar vídeos do YouTube?

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Eu e você, meros mortais, dificilmente chegaremos a tanto (a esperança é a última que morre!), mas o produtor Tony Visconti não só tem essa intimidade com um dos maiores cantores britânicos, como participou de alguns dos melhores discos de pop e rock já lançados. Ele resolveu compartilhar algumas histórias com a gente, por meio da autobiografia Tony Visconti: The Autobiography - Bowie, Bolan and the Brooklyn Boy, lançada pela editora Harper Collins no Reino Unido.

Visconti produziu clássicos de Bowie como The Man Who Sold the World, Heroes, Lodger e Reality. Do T. Rex, banda liderada pelo Marc Bolan do título da autobiografia, falecido em 1977, Visconti produziu Slider e o mais importante CD do grupo, Electric Warrior. Do Morrissey, ex-Smiths, produziu o aclamado álbum de 2006 Ringleader of the Tormentors. A lista de artistas com quem trabalhou ainda inclui U2, Ziggy Marley, Stranglers, Adam Ant e Thin Lizzy.

Em entrevista à Billboard, Visconti revelou uma de suas memórias, relacionada com o impacto causado pela primeira audição de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, obra-prima dos Beatles. Ele havia acabado de se mudar para a Inglaterra - Visconti nasceu no Brooklyn, Nova York - e um amigo mostrou a ele o álbum dos Fab Four, que ainda nem tinha sido lançado: "Foi a experiência mais 'me belisque, que acho que morri e fui pro céu' que já tive. Mesmo hoje em dia você se pergunta como eles fizeram aquilo".

Além de Bowie, com quem mantém contato constante, Visconti disse que muitas amizades seguiram adiante depois de trabalhar com certos artistas. Ele chegou a arriscar uma opinião a respeito do relacionamento de Marc Bolan com a internet: "Marc teria adorado a internet, apesar de ser um pouco disléxico. Seria interessante ler um e-mail de Marc Bolan, com 'ks' no lugar de 'cs'".

Mas nem tudo são flores na vida do produtor. Ele declarou que teve que encarar alguns pontos de sua vida que preferia ver enterrados: "Tive que reviver algumas coisas que não queria, muitos casamentos desfeitos e uso de drogas. Essas duas coisas foram muito dolorosas de relembrar. Eu entrei em acordo com todas as minhas ex-mulheres, meus tempos com as drogas acabaram há mais de 20 anos e o alcoolismo há sete. Não quero que isso chame a atenção, mas tinha que escrever a respeito. Não há nada que as pessoas não saibam sobre mim agora".

Uma nova cantora e compositora de St. Louis, Kristeen Young, queridinha de Morrissey, é o novo foco de atenção de Visconti. Além dela, a banda Semi-Precious Weapons, uma banda glam de Nova York, está sendo produzida por Visconti. "Eu também fui convidado para fazer o próximo do Morrissey, quando quer que ele seja lançado. Eu amo fazer discos - nunca vou parar".

A gente agradece.

Tony Visconti: The Autobiography — Bowie, Bolan and the Brooklyn Boy por enquanto só está à venda na Amazon do Reino Unido.