Toda vez que alguém pergunta o que faço - e escuta que eu edito uma revista de games - as considerações podem passar por alguns estágios. Desde "você tem a vida que pedi a Deus", até "nossa, que bonitinho". Na verdade, acredito que muito pouca gente que não trabalha ou transpira cultura pop imagina o que isso realmente significa. Os games se configuram como a maior indústria de entretenimento - sim, vende-se hoje mais jogos do que CDs - e grande expoente de cultura. Isso mesmo, cultura. Mas isso não vem de graça e os "joguinho" passam por todos os desafios que vêm com o pacote: desde as ganas de certas visões filosóficas, até a necessidade de se provar arte.

Game Ovo

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PlayStation 3 (Sony)

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Xbox 360 (Microsoft)

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Wii (Nintendo)

Burning crusade

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Burning Crusade

Talvez seja por isso que o Omelete abriu esse espaço ou talvez seja porque é um assunto extremamente divertido. Na dúvida, fico com os dois. Aqui na Cozinha, o lance é colocar a mão na massa. Então vamos arriscar o melhor dos dois mundos: arte e entretenimento.

Para começar, não dá para resistir em comentar sobre a tal nova geração dos games, afinal se até o NY Times acha que o assunto vale a pena, eu, singela e pobre jornalista, não poderia me afastar disso. O que nos leva a:

Os erros e acertos da nova geração (ou do começo dela)

Ok, vou ser sucinta, porque se você não agüenta mais ler sobre isso, pode só dar aquela passada rápida.

PlayStation 3 (Sony)

  • Acertos: Manter franquias matadoras e exclusivas, como Metal Gear e Final Fantasy (essas vendem consoles).
  • Erros: O descaso com o Brasil, o preço, a primeira leva de jogos, a falta de rumble (o controle não treme mais e ficou levinho, de brinquedo)
  • Momento bizarro: Seus primeiros momentos tentando controlar uma moto com o novo controle, com um pseudo-sensor de movimentos.

Xbox 360 (Microsoft)

  • Acertos: Vir ao Brasil oficialmente, claro, sem contar a Xbox Live, onde se pode passar horas e horas jogando de novo, haja replay.
  • Erros: A falta de diversificação de títulos logo no seu lançamento. Os japoneses só começaram a falar Xbox depois do anúncio de Blue Dragon, RPG com o dedo de Akira Toriyama (criador de Dragon Ball).
  • Momento bizarro: Seu amigo acabou de comprar um 360 e te liga pedindo conselhos de configuração do media center, enquanto o console faz tudo sozinho nas costas dele.

Wii (Nintendo)

  • Acertos: É revolucionário como foi o Nintendo 64, divertido como jogar Mario e até minha mãe aparece pedindo para jogar (é verdade, pode perguntar pra ela). Sim, funciona bem.
  • Erros: Por enquanto, a maioria dos jogos é casual (não incluo nessa lista Zelda: Twilight Princess), o console ainda precisa de uma gama maior de títulos de estratégia, tiro, ação, etc.
  • Momento bizarro: Quando 20 adultos se divertem por mais de três horas ao modelar suas versões (Mii)niaturas.

Não pense que eu queira que o PlayStation 3 falhe. Sei que vou receber alguns e-mails sobre isso, mas pense bem: a Sony tem a maior base instalada de consoles em decorrência do sucesso do PS2 (110 milhões de unidades vendidas segundo o último anúncio oficial). Todo mundo aguardava ansiosamente a terceira versão, que ainda não vendeu nem um milhão de cópias. Lógico que mal posso esperar por Metal Gear ou Final Fantasy, mas você deve convir que algo está muito errado.

E não sou só eu quem está falando, não. Algumas declarações de gigantes da indústria botam qualquer um pra pensar. Por exemplo, o criador de Metal Gear, Hideo Kojima, disse que mal pode esperar para o contrato de exclusividade entre a franquia e a Sony acabar. Quem também abriu o bico foi um dos diretores da Valve (a produtora de Half-Life, entre outros). Para ele a empresa deveria afirmar que o PlayStation 3 foi um erro e começar e novo. O mais importante dessa entrevista é que ele pede que a Sony pare de incomodar as desenvolvedoras, pois elas não querem saber do PS3. Parece que a coisa não está lá muito bonita. Eu sempre torço por uma volta por cima. Afinal, concorrência é saudável.

Na verdade, todo esse auê sobre a nova geração acabou causando uma gafe enorme: enquanto todo mundo compara os três consoles (como fiz ali em cima, mas por boa razão, afinal eu tinha que chegar até aqui), pouca gente se lembra do PC. Gráficos impressionantes ele tem, e ainda por cima é online até não poder mais. Então por que não falar de lançamentos previstos como Crysis e Spore? E mais! Janeiro foi palco de um grande acontecimento para os PC gamers, o lançamento da expansão de World of Warcraft, o maior MMO pago do mundo, que tem metade do mercado de games online. Por isso, um dos tópicos dessa conversa é exatamente...

The Burning Crusade

Uma das pessoas mais felizes com a expansão de WoW é minha linda Troll de moicano vermelho e pezão azul. Além de explorar todo um novo continente e estar cara a cara com um dos personagens mais estilosos da história do Warcraft - estou falando de Ilidan, um elfo corrompido pra lá de bacanoso - ela ainda vai passear no Caverns of Time, que revive pontos cruciais da história do Warcraft.

O objetivo aqui não é convencer ninguém a jogar, mas comentar sobre essa tal Caverns of Time, que me parece bem interessante. Primeiro porque ao entrar lá na tal caverna o jogador vai ver que o jogo tem uma complexa história por trás, e que começa a ser mostrada agora. O assunto já rende livros com toda a cronologia do mundo de Azeroth, além de uma wikipedia dedicada ao game, a www.wowwiki.com. O fato de caminhar em um tipo de máquina do tempo mística promove a sensação de realmente vivenciar a história. Agrada-me o conceito, a dedicação por mostrar que há algo além da jogatina e o cenário onírico criado.

Esse é um dos grandes exemplos de como games podem ser arte, cultura e até religião para algumas pessoas. E o mais importante: você não precisa ser um completo hardcore gamer para se envolver. Basta começar.

Ainda vale comentar que Burning Crusade está batendo recordes de pré-venda. Os oito milhões de contas criadas se comparam à quantidade total de Xbox 360 vendidos até hoje.

Rapidinhas

Games para jogar até esgotar

  • Sam & Max Episode 2: Situation: Comedy (PC)
    Se você não chegou perto do primeiro jogo da dupla de detetives, você é 20% menos feliz do que deveria. Jogue. O humor ácido está de volta e em ótima forma.
  • Lost Planet (Xbox 360)
    Ação do começo ao fim, inimigos tão grandes que nem cabem na sua tela (de verdade, espere até ver a primeira minhoca gigante) e muitos muitos tiros.
  • Rayman Raving Rabbits (Wii)
    Para aproveitar mesmo, só na versão do Wii, que usa todas as funcionalidades do novo controle. Coelhos nada fofinhos são a nova mania, pode acreditar.

Guitar Hero Customizável

Um dos melhores jogos do ano passado com a música que você quiser. É complicado, mas vale a pena. Leia o passo-a-passo aqui.

Para não dizerem que não falei (bem) das flores

Um dos sites mais conceituados de game, o IGN, elegeu o PlaySation 3 como o console de 2007. Na opinião dos caras, o prêmio vale pelas inúmeras possibilidades de crescimento que o console possui.

Zelda animado

Zelda teve uma série de animação na TV. Sério. Foram apenas 13 episódios, que ganharam a telinha entre os anos 80 e 90. Recomendo baixar aqui.

Ghostbusters no videogame (de novo)

Para quem é saudosista e nunca se esqueceu do desenho (nem da musiquinha), uma quase ótima notícia: um vídeo na net mostra o novo game dos caçadores de fantasmas que deve sair para o Xbox 360. Pode ser boato - o vídeo, o game está confirmado -, pode ser só um hype, mas já me deixa feliz. Assista aqui.