Companheiras de quarto, 1993
© Estate of Roy Lichtenstein

Nu com busto, desenho, 1995
© Estate of Roy Lichtenstein

O gabinete, 1990
© Estate of Roy Lichtenstein

Pincelada para D.Spoerri, 1971
© Estate of Roy Lichtenstein

Whaaam!, 1990
© Estate of Roy Lichtenstein

Se Andy Warhol (1928 - 1987) é o pai, Roy Lichtenstein (1923 -1997) é a mãe da Pop Art. Enquanto o primeiro usa toda sua tarimba histriônica para criar comoção e balbúrdia, o segundo usava seu talento de desenhista para gerar obras de deslumbramento trivial. Trivial, mas não ordinário. As influências e referências de Liechtenstein são absolutamente eruditas, o que representa todo o atrevimento do estilo, presente até hoje.

Há muitas teorias polêmicas sobre a Pop Art (se você lê bem em inglês, o Google tá repleto de textos infernais sobre o assunto). Mas o fato é que Lichtenstein se apropriava da cultura de massa, de temas vulgares e banais para criar seus trabalhos - é impossível não olhar algumas de suas obras e não se lembrar ironicamente de Edward Hopper (1882 - 1967).

Por isso, Vida Animada - Desenhos de Roy Lichtenstein, megamostra que o Instituto Tomie Ohtake inaugura, é referencial. 78 trabalhos, entre colagens e desenhos, vindos de diversas coleções particulares, estarão expostos para apreciação. Mais. Trata-se da primeira individual do seminal artista no Brasil.

Organizada e idealizada por Nessia Leonzini e com curadoria de Lisa Phillips, diretora do New Museum of Contemporary Art, em Nova York, a mostra enfatiza a importância da estética no trabalho de Lichtenstein. Diz Phillips: "Atrás de uma linguagem aparentemente banal, na qual se apropria da estética de histórias em quadrinhos e de temas clichês provenientes do universo da comunicação de massa, Lichtenstein esconde um sutil e complexo pensamento conceitual".

O crítico Agnaldo Farias vai além: "A partir de imagens vulgares e banais, extraídas de cartuns, história em quadrinhos e anúncios publicitários, Lichtenstein demonstrou que as imagens veiculadas pelos canais de comunicação em massa são meticulosamente produzidas com a finalidade de esvaziar o pensamento, rebaixar a leitura e a escrita, transformar a fala numa forma de expressão repleta de gírias e balbucios sem sentido. Com seu olhar raio-x, Lichtenstein reproduz friamente cenas do cotidiano e produtos de consumo, sublinhando o impacto dessas imagens nas nossas vidas e como elas, e graças a elas, nossos comportamentos, nossas emoções, nossos principais dramas são tão previsíveis quanto o roteiro de um desses dramalhões que os canais de tevê nos oferecem diariamente".

O ponto alto do trabalho de Lichtenstein está justamente nesta crítica bem-humorada e irônica da arte, dentro do conceito de obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, conforme pregava Walter Benjamin e sua Escola de Frankfurt. "Em suas cópias e cartuns, ele retomou gêneros tradicionais como paisagem, natureza-morta e figura, reanimando e revivendo estes temas acadêmicos tradicionais no vocabulário moderno", explica Lisa Phillips.

Como um agente reator ao expressionismo abstrato, Lichtenstein provoca uma intensa discussão ainda hoje, com suas imagens emblemáticas da cultura popular norte-americana. É, acima de tudo, um trabalho individualista em reflexão ao mundo externo. Como ele próprio costumava dizer, tratava-se da maneira mais rápida possível de descrever seus pensamentos íntimos. De fato, uma arte que acabou de exterminar de vez os formalismos que já vinham sendo destroçados deste o início do século 20.

Serviço:
Vida Animada - Desenhos de Roy Lichtenstein
De 22 de setembro até 20 de novembro de 2005
De terça a domingo, das 11h às 20h
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88)
Pinheiros - São Paulo - Brasil
Fone: 11.2245.1900