Dragon Quest VIII
Square Enix (Playstation 2)

Imagine a seguinte situação: você terminou Final Fantasy X, achou o FF X2 bem meia-boca, não tem modem no Playstation 2 para jogar o FF XI e as notícias de que o FF XII vai atrasar estão tirando o seu sono. O que fazer para amenizar a espera? A melhor pedida é Dragon Quest VIII - The Journey of the Cursed King, também da Square Enix, e um SENHOR RPG para o PS2. Detalhe, este é o primeiro Dragon Quest para este console da Sony (e também o primeiro que eu joguei), o que me faz perguntar: por que eles demoraram tanto?

Afinal, do que se trata?

O roteiro de DQ VIII é relativamente simples, mas assustadoramente grande! A linha básica da história fala sobre um reino que foi amaldiçoado e tomado por espinhos. O rei que dá nome ao jogo é Trode, do tal enfeitiçado reino de Trodain. Além do governante, que foi transformado em um monstrinho que parece um sapo, apenas outras duas pessoas sobreviveram: a Princesa Medea, que virou um cavalo, e o Herói, o personagem controlável, que você vai ter que gramar muito até descobrir porque ele não empacotou junto com os outros "trodainenses"! Cabe agora a você, na pele do protagonista, ajudar o Rei a se vingar do vilão que amaldiçoou seu reino. Para te ajudar, terá mais três amigos que encontrará no decorrer do jogo. Todos eles têm "pendengas" com o mesmo vilão. Quem é? Se eu te contar, você não precisa mais jogar! ;o)

Seguindo a história, o jogo é bem linear, mas você não vai escapar de pontos que "empacam" de vez em quando, tentando descobrir o que fazer a seguir. Quando isso acontecer, você pode simplesmente conversar com os outros integrantes de sua party que eles te dão uma pista. Além disso, a enorme quantidade de side-quests vai te manter ocupado por um bom tempo.

Falando em tempo...

Algumas pessoas vão achar o jogo muito parecido com o Wind Waker e não é sem motivo. O tempo é um dos elementos do jogo, com ações que só acontecem durante o dia ou a noite. Monstros, itens, portais, tudo depende do horário no jogo. Outra semelhança é o cel shading, com gráficos que são simples, mas bem eficientes. Em alguns momentos, principalmente dentro das cidades, a quantidade de detalhes é maior, mas como o mundo em que se passa o jogo é realmente enorme, detalhar tudo é realmente impraticável.

Os personagens são bem trabalhados, têm expressões faciais bem diversas e as armas e escudos equipados fazem diferença no visual de cada um. Dois integrantes de sua party podem, inclusive, trocar de roupa. É o caso de Jessica, que entre outras, pode usar uma roupa de coelhinha de revista masculina, e do Herói, que também tem vestimenta alternativa. Os acessórios, como chapéus, elmos, bandanas, não mudam os personagens. Graficamente falando, os monstros são bem criativos e, alguns, bem engraçados.

PORRADA!!!!!

Já na hora que o pau come, não sobra tempo para gracinhas. O jogo é bem equilibrado e as batalhas não são fáceis. Qualquer desatenção, desde o começo do jogo, e você pode acabar perdendo uma. Nesse caso, metade do seu dinheiro some e você volta para o último save-point que usou. Não perde itens nem experiência, mas dinheiro é bem importante no jogo. O sistema é o clássico dos RPGs, baseados em turnos, com indicadores matemáticos e algum fator aleatório. Claro que com uma party mais forte, as batalhas vão ficando mais fáceis, mas são sempre bem desafiadoras, principalmente nas Boss-Battles!  

A escolha das armas também faz com que cada jogo seja único, uma vez que dessa escolha depende a construção do seu personagem. Todos os personagens da sua party têm atributos de armas, batalha sem armas e uma habilidade específica de cada um. O Herói pode lutar com espadas (que são mais fortes), com bumerangues (que acertam todos os monstros de uma vez) ou arpões. Yangus, um hilário ex-ladrão com sotaque australiano, pode usar martelos, machados ou foices. Angelo, um templário que está mais para habitante de Las Vegas que para religioso, pode usar espadas, arcos e cetros. E a nossa coelhinha Jéssica usa cetros, facas e chicotes. Outra coisa importante: ao contrário do que acontece na maior parte dos RPGs, a ordem de sua party influencia na hora das lutas. Quem está mais "na frente" tem mais chances de ser atacado pelos monstros durante as lutas. Os atributos específicos são "coragem" para o Herói (que pode fazer com que ele tenha habilidades como "cura"), "humanidade" para Yangus, "carisma" para Angelo e "sex appeall" para Jessica (que pode literalmente paralisar os monstros com sua beleza).

Nem olhe para o relógio!

Vale a pena conhecer e jogar DQ VIII, mas pode reservar algumas boas horas de sua vida. Só para seguir a história, vão umas 50, 60 horas de jogo. Se resolver fazer algumas quests, umas 70. Se resolver que vai fazer TUDO, pode reservar pelo menos 100 horas! Todo esse tempo dá uma dimensão do tamanho do game. E como as side quests premiam com itens (muitas vezes raríssimos), vale a pena fazer algumas. As mais óbvias, como a caça das mini-medals ou a Monster Arena, "pulam" na sua frente. Outras são mais escondidas, mas nas conversas com os personagens jogo afora, você sempre acha alguma dica.

Itens, magia e alquimia

Além de todos os itens que se pode obter em sua jornada, comprando, achando ou matando os monstros, você ainda pode combinar dois ou três deles no Alchemy Pot e fazer um item novinho! Desde os mais simples, como misturar leite para fazer queijo, até as armas mais poderosas do jogo. O arco mais forte do jogo, por exemplo, você só consegue fazendo uma série de combinações, que diga-se de passagem, são bem difíceis de se descobrir. Além disso, as combinações dão poderes extras às suas armas, quando são usadas como itens. É o caso do Staff of Resurrection, que pode reviver algum aliado morto durante uma luta.

Qualidade Square-Enix

A preocupação com a qualidade do jogo salta aos olhos e também aos ouvidos. A trilha sonora foi gravada pela Filarmônica de Tóquio e dá o  tom "medieval" do jogo. Os personagens dublados têm mais uma característica de personalidade pela sua dublagem. Na vila dos ladrões, por exemplo, o sotaque e as expressões são mais triviais, enquanto os nobres têm sotaque britânico. Em determinada parte do jogo, você conversa com uma garota riquinha, com sotaque afetado como das patricinhas do filme As Branquelas. E se seu inglês tá meio enferrujado, não se preocupe. Tudo tem legenda em inglês. Com um dicionário do lado, tudo fica sob controle!

Só falta uma pergunta...

Rei amaldiçoado, tem. Jornada, tem também. Então, cadê o dragão da Quest do título? Pois essa é mais uma tradição da série: o fim depois do fim. Se você ainda tiver fôlego, depois de ajudar o nosso bom rei e sua princesa e derrotar o Mal Supremo, você pode enfrentar uns dragões para ver os finais alternativos. Uns Dragões? Uns VIII, meu caro romano!