Borderlands: The Pre-Sequel é mais do mesmo. A princípio, isso pode soar como um insulto para um jogo que despontou justamente por quebrar a monotonia do gênero de tiro com uma direção de arte fora do comum e um tom bem-humorado. Mas a Gearbox Software provavelmente encararia isso como elogio ou como o reconhecimento de uma piada - afinal, o estúdio texano já deixa clara essa intenção no próprio título do game.

Com o grosso do desenvolvimento nas mãos de outra produtora, a 2K Australia, a “sequência-prelúdio” faz exatamente o que diz seu nome. Ela joga nuances nos personagens que habitam Pandora e seus conflitos e traz algumas novidades (quase todas relativas à nova ambientação), mas, na essência, segue à risca a cartilha que fez deste jogo de tiro com alma de RPG tão aclamado: exploração dos cenários, acumulação de itens, personagens sadicamente carismáticos e um roteiro afiado.

Investindo na grande base de fãs que a franquia angariou ao longo dos anos, a trama se passa entre o primeiro e o segundo Borderlands, e está recheada de referências para quem já está familiarizado com Pandora e seus Vault Hunters. Nós acompanhamos a origem e ascensão ao poder de Handsome Jack, o adorável vilão de Borderlands 2 - aqui, apenas um adorável pé-rapado da corporação Hyperion que tenta recuperar a estação espacial Helios das mãos de um grupo paramilitar.

Não existem mocinhos em Pandora

O grupo de protagonistas da vez também deve trazer lembranças. Para assumir o comando da Helios, Jack pede a ajuda de quatro personagens que apareceram em outros games: Nisha e Wilhelm, chefões em Borderlands 2; Athena, NPC em um dos DLCs do primeiro Borderlands e narradora deste game, contando sua história para outros Vault Hunters; e, por fim, o robô-mascote Claptrap.,

As classes também reciclam elementos dos protagonistas anteriores: Gladiator, a classe de Athena, une as habilidades elementais das Sirens com os ataques físicos de Zer0; Wilhelm, o Enforcer, é acompanhado de drones que lembram a águia de Mordecai; já a habilidade Lawbringer de Nisha é uma versão refinada de Gunzerker, a classe de Salvador.

A única novidade real no que diz respeito aos personagens é Claptrap. Sua habilidade especial é aleatória, e tanto o que ele faz no campo de batalha quanto os upgrades são voltados a ajudar os outros membros do time. O robôzinho é um excelente parceiro para se ter no modo cooperativo, mas se transforma em peso morto quando você joga sozinho. A impressão é que os desenvolvedores, já cientes de que todo mundo o escolheria, fizeram dele um personagem moldado para jogar em equipe.

Pequenos passos, grandes saltos

O mapa de Pre-Sequel é o elemento que mais o distancia de seus antecessores. Elpis, a lua de Pandora na qual se passa a maior parte da ação, é substancialmente menor do que os outros mapas da série, mas compensa o tamanho menor com muitas plataformas, prédios e outras áreas verticais que você pode alcançar com um salto ou dois, graças à gravidade reduzida da lua. O jogo ainda fortalece essa ideia ao introduzir plataformas que dão um impulso na hora de pular.

Outra diferença fundamental de jogar na lua é o vácuo. Os personagens precisam usar tanques de oxigênio e têm de tomar cuidado para não ficar sem ar - a exceção é Claptrap, que usa seu tanque para tomar impulso ou ajudar os colegas. No mapa principal, há construções, atmosferas artificiais e pequenos pontos de ar em que você pode recuperar o fôlego. A necessidade por respirar dita o ritmo e o rumo da exploração, obrigando o jogador a procurar por estes pontos para sobreviver - isso, claro, sem contar os inimigos.

As poucas novidades de Pre-Sequel reforçam ainda mais a ideia de que Borderlands é para se jogar no modo cooperativo. As dificuldades impostas por Elpis ficam mais tranquilas quanto o time está completo, principalmente com Claptrap como um dos integrantes.

The Pre-Sequel é o maior indicativo da rápida ascensão de Borderlands. Em menos de cinco anos, a franquia alcançou um sucesso inesperado no primeiro game e consolidou seu nome no segundo, a ponto de se dar ao luxo de colocar nas lojas um morno lançamento que poderia muito bem ser um generoso pacote de expansão, mas chegou às nossas mãos como um game completo. Ponto positivo para a Gearbox e a 2K, que, bem cientes do que estão fazendo, dizem logo de cara ao que vieram. Se a ideia é caçar o dinheiro dos fãs, porque não fazê-lo de forma sincera?

Borderlands: The Pre-Sequel está disponível para PlayStation 3, Xbox 360 e PC. A versão testada foi a de Xbox 360.

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Nota do crítico