Se você prestou atenção nos jogos mais populares do Twitch ou Steam nos últimos meses, um título deve ter chamado sua atenção. PlayerUnknown's Battlegrounds é um jogo de sobrevivência online onde 99 pessoas caem de paraquedas em uma ilha, vasculham casas e mais casas em busca de armas e equipamentos, e lutam, em um mapa que vai ficando cada vez menor, para ser a última pessoa respirando.

Mesmo ainda estando em Early Access no Steam, o jogo já acumula mais de 2 milhões de unidades vendidas e continua explodindo em sites de streaming. É só entrar na página de Battlegrounds no Twitch ou YouTube para ver quantas pessoas estão produzindo conteúdo sobre o jogo. Isso está acontecendo há meses, mas nas últimas semanas tem atingido a mídia mainstream, dentro e fora do Brasil.

Grande parte do desenvolvimento de Battlegrounds está acontecendo na Bluehole Studios, uma desenvolvedora sul-coreana, mas o homem no comando de tudo, e o responsável pela presença de um apelido de internet no título do jogo, é Brendan "PlayerUnknown" Greene, um veterano da comunidade de mods e games para PC. Nascido na Irlanda, Greene é uma figura conhecida dentro do ecossistema de títulos como DayZ e H1Z1mas está, agora, virando um nome de peso em toda a indústria

Sua história, por incrível que pareça, começa em Varginha, no interior de Minas Gerais.

"Eu entrei no mundo de mods enquanto morava em Varginha, Brasil," Greene nos contou, causando uma onda de surpresa que dominou completamente a redação do The Enemy. "Eu comecei jogando o mod DayZ de ARMA 2 com amigos, e depois de um tempo, começamos a administrar nosso próprio servidor customizável de mods de DayZ. Foi ali que eu aprendi a fazer mods com a engine de ARMA."

"Eu entrei no mundo de mods enquanto morava em Varginha, Brasil"

Como muitas histórias de sucesso na indústria, Greene começou experimentando por puro prazer, e o que antes era parte de sua programação com amigos se transformou em algo maior. "Depois de administrar um servidor de muito sucesso durante um ano, eu decidi ver se conseguia fazer meu próprio mod, então o mod DayZ Battle Royale nasceu. Depois do lançamento independente de DayZ, eu fui para ARMA 3 e continuei a refinar o modo Battle Royale."

Battle Royale é o nome de um livro (depois adaptado para o cinema) japonês no qual estudantes são forçados a se matar em uma competição de sobrevivência. Uma premissa semelhante foi usada na franquia de blockbusters Jogos Vorazes. Ver comparações de Battlegrounds com essas duas marcas não é incomum.

"Desde que eu comecei a fazer o mod Battle Royale, eu sempre quis criar um jogo independente baseado nessa ideia," Greene explicou. "Com mods, você está limitado pela engine, e o ciclo de desenvolvimento do jogo que você está usando. Fazer meu próprio jogo me permitiu criar minha própria visão para o modo de jogo, e expandir em cima disso de formas que não eram possíveis com mods."

E assim surgiu um fenômeno. Há alguns anos, jogos de sobrevivência como o próprio DayZ têm atraído interesse de youtubers e comunidades de mods, mas Battlegrounds chegou em outro nível. "Eu amo o gameplay não-linear e cheio de liberdade encontrado nestes jogos," PlayerUnknown nos explicou. "Cada vez que você joga, o resultado é uma experiência diferente. Ter que pensar no improviso e tomar decisões baseadas na situação na qual você se encontra é algo que eu amo muito."

Fazer meu próprio jogo me permitiu criar minha própria visão para o modo de jogo, e expandir em cima disso de formas que não eram possíveis com mods.

Brendan Greene

Battlegrounds acumula tanto jogadores quanto audiência. "Quando eu estava construindo o jogo, eu queria dar aos jogadores a liberdade de jogar como quiserem," Greene explicou, comentando sobre o que diferencia seu jogo da competição. "Nós temos uma coleção grande de armas e equipamentos, diversos veículos pra escolher e um mundo aberto grande que garante que cada partida seja diferente. Eu acho que essa escolha é o que diferencia nosso battle royale de outros nesse gênero."

Esses diferenças que acontecem em cada partida também são, na visão de Greene, a razão pela qual o jogo está conquistando uma audiência gigante na internet. "Já que cada round é diferente, a audiência pode assistir horas e não ver a mesma jogatina acontecendo. Com a liberdade que Battlegrounds dá aos seus jogadores, a quantidade de maneiras pelas quais um jogador pode ganhar uma partida é algo que, na minha cabela, cria um enorme fator de longevidade para o jogo."

Greene, inclusive, faz parte desta audiência cada vez maior. Ele acompanha alguns canais e se diverte assistindo aos jogadores. "Desde que eu criei o modo Battle Royale em ARMA 2, eu tenho visto muito interesse da comunidade de streaming. Entretanto, eu não diria que nós criamos o jogo especificamente para eles," esclareceu o programador. "Eu só queria criar uma ótima versão do jogo que estava na minha mente nos últimos quatro anos. E quanto aos meus streamers favoritos, eu tenho muitos, mas Lirik, Grimmmz e Anthony Kongphan estão lá em cima."

Agora, esse jogo que ocupou a mente de Greene desde que ele morava no interior de Minas Gerais está finalmente se tornando uma realidade. Battlegrounds ainda está em Early Access, mas ele e a Bluehole esperam lançar a versão final ainda este ano. Agora, o homem conhecido como PlayerUnknown está cheio de planos "A curto prazo estamos focados em melhorar o desempenho dos servidores e do jogo. Nós também temos alguns novos recursos como replays em 2D e 3D em desenvolvimento, e estamos planejando adicionar uma nova arma em cada atualização mensal."

"A longo prazo, nosso plano é construir uma ótima plataforma para modos de jogo," ele concluiu. E quanto a versões para consoles? "Tudo que eu posso dizer é que estamos trabalhando nelas!"