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The Order: 1886 abre o ano para o PlayStation 4 de forma medíocre. Enfeitado com belos gráficos e efeitos climáticos da nova era de consoles, o game da Ready at Dawn se limita a apresentar uma série de animações bem feitas ao jogador. Não há inovação nos controles ou uma história que prenda, é um típico jogo de início de geração que chega atrasado em alguns meses e desperdiça a ambientação de uma Londres cheia de conspiração e mistérios.

Os primeiros momentos dão o gosto do que virá nas próximas seis ou sete horas de jornada: cinematics e Quick Time Events intercalados por tiroteios baseados em um sistema de cobertura em terceira pessoa. O combate de The Order: 1886 se limita ao sistema de tiro, que é coeso, mas não apresenta nenhuma novidade ao gênero. As lutas corpo a corpo são sempre desviadas para as famigeradas sequências de "aperte o botão" correto - e não só o enfrentamento com simples adversários, mas também com chefes importantes. A luta contra o "líder" dos licantropos é um tiro no pé, uma facada literal no envolvimento do jogador com toda a história. E se entregar a experiência de uma simples briga aos QTEs já soa frustrante, o que dizer de desperdiçar todos os combates com chefes nesse mesmo esquema.

A falta de criatividade dos desenvolvedores se replica no roteiro. Todos os mistérios e o interesse acerca da trama que The Order: 1886 parecia esconder pelos becos de Londres se diluem em uma história de conspiração batida. Aqui, um grupo de Cavaleiros é formado na Europa na época do Rei Arthur e perdura até o Século 19. Agora eles estão envolvidos em uma revolta que está nas ruas da capital e parece envolver um grupo de rebeldes, mas também lobisomens, os chamados mestiços. Apesar das exceções, os roteiros de games de grande orçamento nunca foram um primor de escrita. Esse exclusivo do PlayStation mantém a média e entrega um enredo baseado nas reviravoltas esperadas e personagens estereotipados de sempre. A narrativa é executada de forma simples, sem comprometer os acontecimentos ou o descernimento do jogador, mas não passa disso. 

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Visualmente o jogo é um primor como era de se esperar. Ele segue a regra dos games da nova geração e abusa de sombras, faíscas e efeitos de fumaça. Por isso, as ruas da capital inglesa, apesar de parecidas, estão muito bem construídas e recriam uma experiência imersiva - nas missões pela cidade a sensação de perigo iminente existe, mesmo com a construção das fases tão previsível quanto o destino de Sir Galahad e seus companheiros. Os modelos de personagem, tanto de humanos quanto dos mestiços, está no nível de títulos como Ryse, Killzone: Shadow Fall e outros lançamentos da primeira leva do PlayStation 4 e Xbox One, por exemplo - jogos lançados há mais de um ano.

The Order: 1886 é tão bonito quanto dispensável. O potencial das conspirações por trás de um grupo de Cavaleiros é desperdiçado por um trabalho que carece de diversão, independente da inovação que poderia trazer. Não ter um modo cooperativo, é outra falha inexplicável, já que tudo no jogo se baseia na interação entre os "agentes" da Ordem. A falta de timing no lançamento é outro erro, pois tivesse chegado junto com o PS4 o impacto poderia ser maior - hoje a expectativa, depois de mais de um ano de console, é maior. No fim, esse é um título que escolhe se calcar em QTEs e tirar qualquer satisfação de conquista das mãos do jogador, elementos que não combinam com o cerne da experiência de jogar videogame.

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Nota do crítico