Lord of the rings: The battle for Middle-Earth II
Electronic Arts
5 ovos!

É curioso como os três filmes da trilogia O Senhor dos Anéis, tão celebrados pela crítica e público, renderam tão pouco nos videogames. Com jogos maçantes, pesados e pouco interessantes, a franquia foi muito mal representada nos jogos eletrônicos - pelo menos até agora.

Com Battle for Middle-earth II, a Electronic Arts consegue se redimir junto aos fãs trazendo não apenas o melhor de todos os games baseados no mundo criado por J.R.R. Tolkien, mas um dos melhores do gênero de estratégia dos últimos tempos. Ele consegue transportar aos games a grandeza dos personagens, cenários e situações dos livros com enorme sucesso, juntamente com um sistema de jogo competente e bastante tradicional.

A aventura explora um lado oculto da Guerra do Anel: as guerras no norte entre elfos, anões e orcs. E o que é melhor: você pode colocar-se do lado do bem ou rosnar em conjunto com as terríveis criaturas do mal.

O jogo tem diversos formatos possíveis - batalhas livres (skirmishes), campanha (Bem ou Mal) ou Guerra do Anel, sendo que a última é uma espécie de tabuleiro com batalhas. Meus formatos preferidos foram os dois primeiros. Em "Skirmishes" é possível escolher uma das seis raças disponíveis - Homens do Norte, Elfos, Anões, Goblins, Mordor, Isengard; cada uma com suas habilidades específicas - e colocá-la contra um ou mais jogadores em cerca de 40 mapas diferentes. Na outra, é possível acompanhar uma narrativa sobre o desenvolvimento do conflito que se espalha por toda a Terra-média, lutando cada uma das batalhas mais importantes, aquelas que não aparecem nos filmes e livros.

A campanha do Mal consiste em atacar a floresta sagrada de Lórien, destruir os portos cinzentos - impedindo a retirada dos elfos - marchar sobre o Condado, dominar os anões das montanhas azuis, comandar as passagens das florestas das trevas, buscar o auxílio dos dragões de Urzal e atacar as forças da luz em seu refúgio - Erebor e Valfenda. Já a campanha do Bem começa em Valfenda, segue até a Charneca Etten para desmoralizar os goblins, segue em direção às montanhas azuis para vencer os dragões, passa pela libertação dos portos cinzentos, pela resistência às margens do Anduin e, enfim, para Erebor e em direção a Dol Guldur, para encerrar de vez os domínios de Sauron.

Cada um dos mapas é visualmente elaboradíssimo, cheio de possibilidades táticas interessantes, e não repete idéias das missões anteriores. Conforme a campanha avança, surgem também novas tecnologias e aliados. Ao final, Heróis do Bem e do Mal se enfileiram e sua boa utilização é devastadora. Galadriel ou Sauron, os personagens mais poderosos do jogo, podem arrasar sozinhos dezenas de tropas sem esforço. Para matá-los, só mesmo uma combinação de outros seres poderosos, como os Espectros do Anel, Elrond, Laracna, Théoden, Gandalf, Boromir, Aragorn, Barbárvore, Grima, Boca de Sauron...

Os cenários trazem também alguns objetivos interessantes. Atacar com os goblins o Condado, por exemplo, exterminando os hobbits e suas casinhas fofas (e até o Bolsão), é sensacional. É viciante. Comande as forças do mal por alguns minutos e você estará desesperado para chegar ao final, exterminando tudo o que é belo - incluindo aí as incríveis fortalezas fortificadas dos anões e elfos. Fazia tempo que eu não tinha tamanha satisfação destrutiva em um game como a obtida ao liberar um Balrog, um Dragão e o Vigia-Polvo gigante simultaneamente sobre os elfos, uma das raças mais poderosas do game.

Ao terminar cada missão, surge uma breve seqüência animada comentando os rumos do conflito e os próximos objetivos. Elas misturam a animação 3D do jogo com belas ilustrações e sons imediatamente reconhecíveis da trilogia cinematográfica - incluindo a trilha sonora de Howard Shore - e o resultado é bastante dramático.

Um dos aspectos mais apreciados dos jogos de estratégia, a construção, também é amplamente empregado em Battle for Middle-earth II. Cada raça tem uma enorme gama de edificações, atualizações tecnológicas e unidades militares, além da possibilidade de utilizar as diversas magias do Bem ou do Mal como um auxílio estratégico importante. As expansões de fortaleza também são empolgantes - um castelo de Mordor totalmente equipado, por exemplo, é capaz de disparar uma poderosa bola de fogo em qualquer lugar do mapa, além de conjurar dragões e outras necessidades indispensáveis do dia-a-dia do nerd moderno.

Enfim, nota máxima para Battle for Middle-earth II, um jogo que consegue aliar técnica e diversão como poucos hoje em dia.