É difícil resistir a um suspense. Faz parte da natureza humana. Diante de um bom enredo não dá para permanecer impassível. Página após página só interessa o que vai acontecer no próximo capítulo. E quanto mais rocambolesca for a trama, melhor. Afinal, todo mundo adora uma boa conspiração. E maquinações extraordinárias é o que não falta no best seller O código Da Vinci - cenário de perseguições, assassinatos, monge albino com uma queda para a autoflagelação, sociedade secreta, vilão aristocrata, herói intelectual e mocinha ingênua. Além disso tudo, faltou lembrar o gênio renascentista que dá título à obra.

Apesar do lugar-comum, é preciso dizer mais uma vez: Leonardo foi um dos homens mais geniais que já existiram. Quinhentos anos depois, ele ainda é lembrado e reverenciado. E como é que ele foi parar no meio disso tudo? Simples, entre outras coisas, Leonardo pintou o quadro mais famoso da história. Até hoje, críticos de arte e historiadores procuram dar um sentido para a Mona Lisa. E aí o que sobra é especulação. No meio dessa celeuma toda, o dadaísta Marcel Duchamp chegou e esculhambou. Pintou lindos bigodes na moça.

Mas, voltando a Leonardo, Dan Brown não precisa justificar a escolha: ora, Leonardo é o homem que escrevia diários de maneira espelhada (de trás para a frente e da direita para a esquerda). É o cientista maluco, anatomista maldito, inventor à frente de seu tempo, engenheiro engenhoso, tocador de lira, artista virtuoso que teria deixado mensagens cifradas em telas e afrescos como A Última Ceia - aliás, peça chave na trama do Código.

Pois o autor americano usou o florentino para dar um viés legítimo a uma suposição ousada: Jesus Cristo teria sido casado com Maria Madalena com quem teve filhos. Essa alegação já tinha sido feita antes, e pela primeira vez, no início da década de 80. Está tudo em O Santo Graal e a Linhagem Sagrada. Tal semelhança rendeu um processo por plágio. Dan Brown venceu e o juiz, engraçadinho, não perdeu a chance de escrever seu próprio "código" na sentença.

Achou toda essa história confusa? Quer saber o que é real e o que é ficção nessa trama escalafobética? Gostou tanto que quer ler mais? Não tema, o que não falta é livro nessa fértil seara literária. Há para todos os gostos. Confira nossa seleção, decifre e decodifique você mesmo O código Da Vinci.

Leonardo Da Vinci
Martin Kemp (Jorge Zahar Editor)

Nada melhor do que começar essa árdua tarefa com uma boa biografia do mestre renascentista. Essa aqui foi escrita por um dos maiores especialistas no assunto. Martin Kemp é professor de história da arte de Oxford e, detalhe, escreveu esse livro no terraço da Villa Vignamaggio, na Toscana, Itália, que teria pertencido à família Gherardini. Lisa Gherardini seria a modelo para a Mona Lisa.

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Da Vinci - 101 segredos do maior gênio da humanidade
Cynthia Phillips e Shana Priwer (Alegro)

Depois de uma boa introdução, já para se deliciar com um pouco de frivolidades. Dividido em capítulos curtos, cobre vários aspectos da vida do mestre. Fala da família, infância, primeiros passos rumo à genialidade, relacionamentos e trabalhos mais importantes. Alguns capítulos beiram a pura fofoca. Além de uma conspiração todo mundo curte um mexerico.

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Da Vinci decodificado
Michael J. Gelb (Bertrant Brasil)

Se você estiver atrás dos fatos esse não é seu livro. Michael J. Gelb conseguiu transformar o artista florentino num precursor da auto-ajuda. Além de frases, mensagens positivas e pitadas esotéricas há também uma série de testes à la Cosmopolitan. Quer saber se você busca a verdade? Faça a auto-avaliação da página 69. Quer aguçar a percepção? Página 107. E boa sorte! Viu só... pensamento positivo é contagioso. Depois não vá dizer que não avisamos!

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A verdade e a ficção em O código Da Vinci
Bart D. Ehrman (Record)

Trata dos temas religiosos abordados no best seller. O autor é historiador, catedrático do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte. Dividido em dois capítulos, o livro contextualiza os primórdios do cristianismo na primeira parte. Em seguida, discute ao relacionamento de Jesus e Maria Madalena. JC e Maria foram casados? Saiba aqui.

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Decifrando o código Da Vinci
Simon Cox (Bertrand Brasil)

Dividido em verbetes, é uma forma rápida e fácil de conhecer um pouco de tudo o que é citado no livro de Dan Brown. Quer saber o que é o Homem Vitruviano? Aqui diz. O que foi o Concílio de Nicéia? Depois dessa leitura fácil (talvez até demais), ninguém vai voltar a confundir Asmodeu e Baphomet com uma dupla sertaneja infernal.

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O caminho Da Vinci
Huck Finn (Planeta)

Ok. Você leu o livro e ficou morrendo de vontade de percorrer os corredores imponentes do Louvre? Contar as divisões da pirâmide de vidro? Quer visitar a catedral de Saint-Sulpice, a Abadia de Westminster, se jogar em Rennes-Le-Château? Nada mais compreensível. Não saia de casa sem esse guia de viagem imaginário pelos esconderijos dessa aventura. Praticamente um "Lonely Planet" do Código Da Vinci.

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O roubo da Mona Lisa - O que a arte nos impede de ver
Darian Leader (Editora Campus)

A história da Mona Lisa é tão fascinante que já justificaria um livro. E eis que existe. É este aqui. Ele começa com o roubo da tela favorita de Leonardo. No dia 21 de agosto de 1911, um gatuno espertalhão conseguiu sair do Louvre com a simpática donzela italiana embaixo do braço. O roubo causou tamanha comoção que o escritor Franz Kafka, foi para Paris três semanas após o roubo e fez questão de ir ver a parede vazia no museu, onde antes figurava a Gioconda.

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O Santo Graal e a linhagem sagrada
Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln (Nova Fronteira)

Lançado no início da década de 80 esse é o livro apontado como a "inspiração" para o Código Da Vinci. De fato a trama central da aventura de Dan Brown é tão similar que o próprio autor citou a obra no Código. Além disso, o vilão Leigh Teabing empresta o primeiro nome de um dos autores e faz um anagrama de Baigent. Gostou do Código? Pois então o Santo Graal é indispensável. Ah, ele leva a vantagem de ser bem escrito.

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Opus Dei - Os mitos e a realidade
John L. Allen Jr. (Editora Campus)

Muito se falou sobre a prelazia favorita do finado papa João Paulo II. Os numerários da Opus Dei usam a mortificação? São celibatários? Envergam o cilício? Há monges albinos entre seus integrantes? Têm o poder e a influência que Dan Brown afirma? Saiba isso e muito mais sobre a "A Obra de Deus" nesse livro escrito por John L. Allen Jr., corresponde da CNN no Vaticano.

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Conspirações - Tudo o que não querem que você sabia
Edson Aran (Geração Editorial)

Para amarrar tudo o que foi lido e tirar dúvidas eventuais sobre teorias conspiratórias mal-resolvidas aqui está a dica. Verbetes enciclopédicos narram a história e glória dos Templários, do Priorato de Sião, Rennes-Le-Château... Depois é só botar na jogada a Illuminati, o Projeto Jari, A Frente de Libertação dos Anões de Jardim e escrever seu próprio best seller!

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