Dizem que filmes e jogos não combinam porque a migração de uma mídia para outra é difícil. Pior ainda se o game for uma adaptação de filme baseado em quadrinho de super-herói, gênero que mais tem sofrido nos últimos anos, como provam X-Men 3 e Superman: O retorno, pra ficar apenas em dois...

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Ao ligar o PlayStation 2 com o jogo do Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider, 2K Games), porém, a primeira impressão é outra: "eu serei Johnny Blaze!". E o sentimento é fortalecido conforme começam os belos gráficos de carregamento e uma inspirada introdução, que conta com quadrinhos narrados a história do dublê motoqueiro que vendeu a alma ao diabo (Mefístoles) em troca da cura de seu pai.

Apesar do bom começo, logo que os controles são entregues ao jogador, já é possível perceber que o jogo será péssimo, como o filme. Em pouco tempo, os movimentos a la Lara Croft dão a impressão de que não é Johnny Blaze quem está lutando, mas a tradicional heroína, com a cabeça pegando fogo. A câmera também tem papel fundamental na baixa qualidade, já que é necessário respeitar cada ângulo de visão imposto, sem poder olhar para outros lados livremente, a não ser que se caminhe até lá.

Passado o susto com a jogabilidade, mais uma decepção: você começa a peleja sem ajuda da tradicional moto do personagem, que será necessária em fraquíssimas fases alternadas a partir do segundo nível. Os níveis com a moto são uma espécie de corrida que parece copiada de antigos clássicos como Road Rash, só que sem inspiração e entusiasmo.

O enredo do game também prometia e não cumpre - foi assinado por Garth Ennis (O Justiceiro, Preacher e a nova série do Motoqueiro) e Jimmy Palmiotti (Demolidor): nele, o herói é chamado por Mefístoles para impedir o domínio de Coração Negro, seu próprio filho, que quer destruir o mundo. Entre determinadas missões, após detonar os chefões, mais vídeos são apresentados para tentar explicar a história, que logo acaba esquecida em meio a uma repetição gigantesca de cenas e nenhuma necessidade de cérebro para jogar. Isto piora com o fato de que a cada fase passada com gigantesca facilidade (é possível avançar todos os primeiros níveis sem morrer uma vez sequer), vemos os mesmos demônios em lutas que passam de "é, bacana..." para "que porre, não acaba nunca não?".

É fácil detonar tais criaturas com uma série de combos e movimentos especiais, que podem ser adquiridos a qualquer momento após coletar "almas" dos demônios derrotados, que se convertem em moeda de troca para elevar a vitalidade, potência de armas ou ainda diferentes tipos de poder (que na destruição contínua e desordenada correm sérios riscos de serem esquecidos ou mal utilizados). Mas esses exigentes e frenéticos combos esfolam dedões e deixam as mãos doloridas como não se via nos games desde o saudoso Decathlon, do Atari. Mas não ache que isso é algo positivo - mesmo com um apenas um botão e míseros bits de memória, o game oitentista conseguia algo que este jogo de penúltima geração não é capaz: divertir por horas.

Gastar mais tempo falando de um jogo que parece um amontoado de remendos de outros adventures em terceira pessoa é bobagem. Na dúvida, corra aos originais.

Uma versão para PSP, com níveis adicionais, e outra para Game Boy Advance também estão sendo vendidas, com preços entre US$ 29,99 (PS2 e PSP) e US$ 19,99 (GBA).

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