Mesmo que roube descaradamente de outros títulos, Terra-média: Sombras de Mordor é surpreendentemente novo. A princípio o que parece um genérico de Assassin's Creed misturado com o combate de Batman Arkham (por sua vez tambem inspirado em Assassin's), logo revela um mundo vivo e ativo como poucos.

O Sistema Nemesis - que a Ubisoft ou Rocksteady deveriam roubar imediatamente, como compensação à "inspiração" pelos seus títulos - é extremamente inovador. Nele, líderes orcs (ou uruks) sobem e descem na escala do poder da sociedade dessas criaturas enquanto seu mestre, Sauron, reúne forças para atacar.

O game se passa entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis, revelando as entranhas da civilização em Mordor, construindo a torre da Barad-dûr. Orcs e uruks vagam pelas terras adjacentes ao Portão Negro enquanto preparam-se para satisfazer as vontades de Sauron. Qualquer uma dessas criaturas, porém, tem a chance de galgar degraus nessa estrutura, dependendo de seus próprios feitos no jogo.

Todas as vezes que um soldado comum mata o personagem principal, tal NPC recebe pontos e sobe na escala. Um gerador de nomes e características entra então em ação, dando ao monstro características extremamente particulares - seus medos, vantagens, etc. E a cada falha do jogador (ou vitória do personagem em sua própria existência artificial) ele ganha mais pontos e torna-se mais forte. Encontros mal sucedidos ou permitir que eles fujam da luta, por exemplo, geram lembranças que o orc vai jogar na sua cara em um próxima ocasião.

É brilhante esse sistema Nemesis e como ele torna o jogador efetivamente responsável pelo equilíbrio de poder no mapa. É um elemento estratégico entranhado na jogabilidade, que fica ainda melhor lá pelas 15 horas de jogo, quando o personagem principal, um Guardião de Gondor possuído por um espírito, ganha a habilidade de controlar mentalmente os uruks. Com isso, a jornada de vingança ganha contornos irônicos, já que o herói precisa aperfeiçoar as próprias criaturas que causaram sua desgraça.

Mesmo que o combate e a furtividade sejam ótimas, Sombras de Mordor carece de variação. Fora umas poucas missões de caça e as de progressão das três armas do herói, há pouco no que trabalhar fora a pancadaria e extermínio silencioso das crias de Sauron. Ao menos as variações de como matá-los e a árvore robusta de progressão mantêm o título interessante. Ainda assim, por apostar tanto em seu mundo aberto e seus habitantes, o jogo poderia ser mais variado.

Fica também a decepção pelo fim. Depois de uma grande e confusa batalha (faltou um módulo de organização dos exércitos reunidos), o encontro final, coreografado pelos animadores através de quick time events, é simplesmente decepcionante. Jogos que removem o controle das mãos do jogador sempre deixam um gosto amargo ao final. Sombras de Mordor tinha potencial para muito mais.

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Nota do crítico