DLC é um assunto complicado. Muitos cobram caro por um pacote com roupas alternativas ou mais uma, duas horas de gameplay. Felizmente, inFamous First Light não é nada disso, mas um exemplo de como fazer conteúdo adicional. Mesmo apresentando alguns problemas semelhantes ao jogo base, inFamous Second Son, esta expansão garante horas de diversão e muito o que fazer, tudo construído em cima de uma ótima anti-heroína.

First Light é um DLC stand-alone, ou seja, não é necessário ter Second Son para poder jogá-lo, apesar dos donos do jogo base ganham missões extras. O jogo conta a história de Fetch, uma das coadjuvantes da campanha principal, antes de conhecer o protagonista Delsin. Um dos problemas de inFamous Second Son foi justamente a falta de desenvolvimento dos personagens secundários, então ter outra oportunidade de visitar Seattle e conhecer mais Fetch foi uma boa ideia da Sucker Punch.

Apesar de simples, a narrativa é satisfatória e com bom desenvolvimento dos personagens. Fetch tem uma personalidade cheia de contradições, algo que se encaixa bem com as situações apresentadas. Ela é uma viciada em drogas (prepare-se pra umas duas viagens) que está disposta a matar, mas sempre coloca a família em primeiro lugar. Isso é amplificado pela ausência do sistema de carma, elemento tradicional dos jogos da série, o que permite aos roteiristas desenvolver com mais liberdade a personagem principal.

É na jogabilidade que a troca de personagens fica mais aparente. Delsin também tinha os poderes de neon, mas Fetch pode usá-los com mais liberdade, especialmente na locomoção. Ela é extremamente rápida e versátil. Cruzar Seattle fica muito fácil. A capacidade dela de passar por dentro de alguns obstáculos elimina as travadas chatas que aconteciam com Delsin. No combate corpo a corpo, a velocidade de Fetch também é perceptível. Em diversas ocasiões é possível ignorar outras habilidades e partir para a pancadaria - coisa que não acontecia em Second Son.

Como previamente mencionado, alguns problemas continuam presentes. As missões típicas de "vá até ponto A e derrote os inimigos" ou "rastreie o sinal do celular e siga-o" estão aqui firme e fortes. Com isso, a natureza curta da campanha do DLC - durando entre 4 e 5 horas - deixa a repetitividade mais aparente. Os objetivos são simples, óbvios e não estão à altura de uma personagem que a todo momento passa a sensação de liberdade. Igualmente chatas são as missões de arena, nas quais Fetch enfrenta ondas e mais ondas de inimigos num treinamento. Esses momentos de arenas funcionam bem no modo de desafios, mas durante a história quebram o ritmo e deixam as coisas devagar.

A grande melhora de First Light em relação a Second Son é o sistema para avançar de nível e abrir novas habilidades. Além dos típicos colecionáveis, há diversos desafios no "modo desafio" e na campanha. Para abrir todos os poderes é necessário jogar de forma diferente, matar inimigos com táticas alternativas e explorar toda biblioteca de ataques. Já no modo desafio, criado para o DLC, as missões de arena recompensam os jogadores habilidosos que conseguem derrotar adversários rapidamente e completando desafios enquanto fazem isso. São vários mapas e para os donos de Second Son há também a possibilidade de jogar com Delsin.

Para quem gostou de inFamous Second Son, First Light é uma ótima compra. É algo para jogar no PS4 antes dos grandes lançamentos do fim de ano - o preço de R$ 31 (ou US$ 15 na PSN americana) rende algumas horas divertidas e a chance de conseguir mais um troféu de platina. First Light não é o melhor DLC já feito, mas é uma ótima desculpa de voltar para Seattle e chutar mais cabeças.

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Nota do crítico