Harry Potter e o cálice de fogo
Electronic Arts - PC
3,5 ovos

Produzido pela Electronic Arts e Warner Bros. Interactive Entertainment, o jogo de Harry Potter e o cálice de fogo segue uma linha diferente dos demais games da série. Com um sistema de fases que devem ser revisitadas para a conquista de todos os objetivos (principais e secundários), exige a cooperação entre os três principais personagens da aventura para a solução de quebra-cabeças e o enfrentamento de criaturas.

Outros dois diferenciais em relação aos demais títulos da série: três jogadores podem interagir ao mesmo tempo nos papéis de Harry, Ron e Hermione, ou individualmente no comando de qualquer dos três personagens. Se antes os inseparáveis amigos do Harry tinham desenhados com traços pouco realistas, agora eles finalmente ganharam as feições dos seus atores. O problema é que para jogar com os dois nesta versão para os PCs, são necessários acessórios como joysticks ou gamepads, além do teclado. Mas jogar sozinho não é um problema. A inteligência artificial que controla os dois personagens restantes é bastante satisfatória. Pouquíssimas vezes é necessário buscar um personagem perdido para fazer com que ele o acompanhe. Já durante as batalhas, os jogadores controlados pelo computador dão um show. Enquanto um faz uma criatura levitar, o outro tenta acertá-lo com uma rocha ou disparando magias diversas para azará-lo (termo da série para feitiços), por exemplo.

A estratégia tem seus méritos, afinal, os últimos jogos da franquia não foram exatamente um sucesso entre os jogadores mais exigentes. No entanto, a nova aventura parece um tanto simplificada demais, voltada ao público infanto-juvenil, algo que nos leva a contestar os motivos da decisão, já que a própria Warner, ciente de que o público do menino bruxo cresceu, não teve problemas em elevar a censura do longa O cálice de fogo. Seria muito interessante se o game também refletisse de maneira mais incisiva essa tendência.

Entretenimento simples

De qualquer forma, Harry Potter e o cálice de fogo é um ótimo entretenimento. A simplicidade nos controles (todos os feitiços se resumem a três botões e a magia correta entra automaticamente, dependendo da situação) e na câmera (que roda sozinha, impedindo às vezes que se observe um perigo fora do campo de visão) gera uma jogabilidade mais veloz, intuitiva. Para quem não gosta de decorar combos e dezenas de botões diferentes, é um prato cheio.

Outros pontos a favor da aventura são o design das fases, a atmosfera sombria, os belíssimos efeitos de partículas das magias e o sistema de cartas. Nesse último recurso, conforme os feijõezinhos de todos os sabores, quitutes do mundo dos bruxos, são apanhados, tornam-se moeda de troca para cards virtuais com imagens do filme. Cada um traz em seu verso uma habilidade especial (poder extra, vida extra, recuperação de vida, etc.) que pode ser usada para turbinar os personagens. A combinação prévia dessas cartas - três podem ser utilizadas por vez - é essencial para o sucesso das fases.

A trama do game oferece todos os obstáculos do filme, desde a fuga dos Comensais da Morte na Copa do mundo de Quadribol até o Torneio Tribruxo e o encontro com Aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Também amplia situações citadas nos livros, criando novas aventuras paralelas, como a busca pelo ovo dourado perdido nas profundezas das tubulações de Hogwarts.

Conforme a história avança, e novas fases são disponibilizadas, são apresentadas estilosas animações em tons de sépia. Essas seqüências amarram os desafios da aventura e ajudam a situar o jogador no universo que ele, como leitor e espectador, conhece tão bem.

Harry Potter e o cálice de fogo foi lançado para PC, PlayStation 2, Xbox e GameCube. A versão para os computadores PC chegou ao Brasil pela EA e foi a utilizada pelo Omelete para esta análise.