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O PlayStation 2 é um console que se expressa melhor em números. As mais de 155 milhões de unidades vendidas em todo o mundo desde o seu lançamento, há exatos 15 anos, no Japão, já seriam o suficiente para colocar o aparelho da Sony num lugar privilegiadíssimo na história dos games. Por trás da quantidade impressionante de máquinas vendidas, entretanto, está uma plataforma responsável por um dos maiores saltos tecnológicos, artísticos e conceituais dos games até hoje, representados por inúmeros títulos de qualidade.

Para celebrar os 15 anos do console mais vendido da história, nada mais justo do que relembrar seus 15 jogos mais marcantes, espalhados por toda a sua história. Uma tarefa dificílima, afinal, poucas plataformas tem tantos jogos bons quanto o PlayStation 2. Abaixo, confira os nossos escolhidos e os nossos motivos:

Final Fantasy X
Data de lançamento: 19 de julho de 2001

Final Fantasy sempre foi sinônimo de opulência técnica no PlayStation e a décima edição do RPG da então Squaresoft cumpriu esse papel com maestria. Aproximando-se de uma linguagem cinematográfica, com personagens dublados pela primeira vez, muitas cutscenes e exibindo áreas tridimensionais riquíssimas, FFX foi o cartão de visitas perfeito do console com pouco mais de um ano no mercado. Mas o game não era só bonito de se ver: ele também descontruiu diversos conceitos do RPG tradicional, como a progressão por nível, e apresentou alguns dos desafios mais difíceis da franquia.

Menção honrosa: Final Fantasy XII, com suas dungeons memoráveis e o complexo sistema de gambits, foi um dos últimos grandes games do PS2 e merece uma lembrança.

Metal Gear Solid 2
Data de lançamento: 12 de novembro de 2001

O jogo mais subversivo da carreira de Hideo Kojima foi também a primeira grande demonstração de uma das suas características marcantes: a de inverter expectativas. A mudança de protagonistas - do ícone Snake pelo novato Raiden, que, até então, não havia aparecido em nenhum material promocional -, e os eventos desencadeados por essa troca fazem de MGS2 um dos mais brilhantes exercícios de metalinguagem da história dos games. Entre vampiros, robôs gigantes e conspirações globais, a complicada trama é a prova de que Kojima é um mestre na arte de confundir.

Menção honrosa: Metal Gear Solid 3, de 2005, vem para amarrar as pontas soltas deixadas pelo segundo game, renova a jogabilidade em cenário selvagem e presta um tributo perfeito aos filmes de espionagem dos anos 60.

Kingdom Hearts
Data de lançamento: 28 de março de 2002

Um jogo que une personagens de Final Fantasy e dos filmes da Disney, tornando-os coadjuvantes de uma nova história? A ideia parecia bizarra, mas Tetsuya Nomura mostrou que poderia dar certo. O diretor e sua equipe souberam mesclar o melhor de ambos os mundos, para nenhum escritor de fanfic botar defeito, criando um passeio maravilhoso pelos clássicos desenhos do estúdio hollywoodiano que utiliza sabiamente os poderosos personagens do RPG japonês.

Menção honrosa: Kingdom Hearts II, que deu profundidade à trama e reforça seu status como uma releitura surpreendentemente original dos universos da Disney e da Square.

SoulCalibur II
Data de lançamento: 27 de março de 2003

Depois de fazer história no finado Dreamcast, a série SoulCalibur conseguiu a proeza de se firmar em uma época na qual os games de luta em geral andavam em baixa. Mas a Namco nem tomou conhecimento disso e entregou um ótimo título de luta que chamou a atenção por seus personagens convidados exclusivos. O PS2 ficou com Heihachi Mishima, enquanto o GameCube ganhou Link e o Xbox teve Spawn.

Menção honrosa: Virtua Fighter 4, outro jogo de luta que teria feito mais sucesso se tivesse saido em outra época.

Prince of Persia: The Sands of Time
Data de lançamento: 6 de novembro de 2003

Sands of Time é o melhor exemplo de como um jogo pode ser transposto para uma plataforma mais nova, com todos os avanços de gráficos e hardware, sem perder a sua essência. A mecânica de voltar até dez segundos em suas ações, misturados aos belos cenários e a boa jogabilidade, servem para melhorar o que já era legal no clássico de Jordan Mechner, lá em 1989: as acrobacias do protagonista.

Burnout 3: Takedown
Data de lançamento: 7 de setembro de 2004

A geração do PS2 viu uma divisão no gênero de corrida: de um lado, os simuladores, com Gran Turismo e seu concorrente no Xbox, Forza Motorsport. Do outro, os jogos arcade, cada vez mais inspirados na tunagem de Velozes e Furiosos, como Need For Speed Underground. E entre eles, Burnout, que negou ambos os estilos e chegou chutando a porta, conseguindo ser mais divertido do que ambos ao abraçar igualmente a velocidade e a destruição.

Menções honrosas: Gran Turismo 4 e Need For Speed Most Wanted, os expoentes das outras vertentes de corrida.

Grand Theft Auto: San Andreas
Data de lançamento: 26 de outubro de 2004

Grand Theft Auto III fez da série um marco do gênero de mundo aberto, com todas as possibilidades que ele trazia. Grand Theft Auto: Vice City mostrou que esses games poderiam ter uma identidade forte. E Grand Theft Auto: San Andreas juntou as duas características num game só, em um mapa que é o playground definitivo do PlayStation 2: três cidades e uma área rural gigantesca que, além das missões, sidequests e itens colecionáveis, parecia ter vida própria. E que trilha sonora, não?

Menções honrosas: além de GTA III e Vice City, também merece lembrança Bully, outra pérola da Rockstar que, infelizmente, ainda não saiu da geração do PS2.

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King
Data de lançamento: 27 de novembro de 2004

Dragon Quest VIII é um RPG à moda antiga. As batalhas são em turnos, é preciso fazer muito grinding pra subir de nível e, no final, você tem que salvar o mundo. A roupagem contemporânea, entretanto, faz dele especial. Sua ótima história é muito bem realçada pelos altos valores de produção: gráficos em cel-shading (à epoca, outra inovação), trilha sonora orquestrada e um mundo vastíssimo e delicioso de se explorar. É a melhor combinação de moderno e clássico que você pode encontrar no PlayStation 2.

Devil May Cry 3: Dante’s Awakening
Data de lançamento: 17 de fevereiro de 2005

Brutal, estiloso, profundo, insano e tecnicamente impecável, Devil May Cry 3 é um jogo de ação praticamente perfeito, com um sistema de jogo balanceado e ao mesmo tempo desafiador. Embora seja mais difícil do que a média, o game é o mais bem acabado da trilogia do PlayStation 2, e se tornou uma referência de comandos precisos e satisfatórios que hoje se traduz no estilo da Platinum Games, de Bayonetta.

Menção honrosa: O Devil May Cry original, cujos elementos são melhorados em DMC3.

God of War
Data de lançamento: 22 de março de 2005

God of War combina bem com a grandiosidade do PlayStation 2. O título de ação da Sony mostrou que os games podem, sim, exibir uma escala de ação tão imponente quanto a dos maiores blockbusters de Hollywood. Some-se a isso mecânicas como os quick time events (hoje execradas, mas na época inovadoras) e temos um enorme sucesso que fez de Kratos um dos ícones do PS2 e da franquia uma das mais importantes da fabricante japonesa.

Menção honrosa: God of War II. A sequência elevou os valores de produção do original e ofuscou até mesmo os títulos do PlayStation 3, que já estava no mercado.

Shadow of the Colossus
Data de lançamento: 18 de outubro de 2005

Um das capacidades mais poderosas dos games é fazer você se sentir no meio da ação. É contar uma história através da participação ativa do jogador. Não à toa, alguns dos jogos mais aclamados de todos os tempos são aqueles em que a exploração do ambiente é fundamental para o progresso. Shadow of the Colossus é um desses jogos, com uma aventura épica contada da forma mais simples possível - e, por isso, capaz de transmitir fortes emoções como poucos.

Menção honrosa: ICO, o “antecessor espiritual” de Shadow of the Colossus.

Resident Evil 4
Data de lançamento: 25 de outubro de 2005

Mesmo tendo ficado quase um ano como exclusivo do GameCube, este game é tão bom que merece um espaço na lista dos melhores do PlayStation 2. Reinventando a série com uma nova perspectiva, a saga de Leon para resgatar a filha do presidente americano de uma vila povoada por infectados mantém o clima de tensão e alerta do início ao fim, numa mistura de terror e ação que a série ainda pena para atingir até hoje.

Menção honrosa: Silent Hill 2, outro marco do terror no PlayStation 2.

Black
Data de lançamento: 28 de fevereiro de 2006

Jogos de tiro em primeira pessoa não eram o forte do PlayStation 2 - essa era a especialidade de seu concorrente, o Xbox. Mesmo em um terreno pouco favorável, o título da Criterion se destacou pelos bons controles, pelas cenas de ação cinematográficas que se tornariam regra no gênero e um visual que parece levar o hardware do PS2 ao limite.

Okami
Data de lançamento: 20 de abril de 2006

O penúltimo game do Clover Studio (o embrião da Platinum Games) no PlayStation 2 é uma obra-prima na qual tudo está a serviço de sua belíssima estética, na qual o desenho do pincel ganha vida - e se transforma em uma ótima mecânica. A ótima direção de arte, inspirada em pinturas japonesas, também mostrou que jogos bonitos não necessariamente precisavam ser fotorrealistas.

Menção honrosa: God Hand, o último e subestimado game de ação do Clover.

Guitar Hero II
Data de lançamento: 7 de novembro de 2006

Os games de música lembram mais a geração do PlayStation 3 e do Xbox 360, mas tudo começou no PS2, quando a Harmonix mostrou um esquisito e viciante game cujo controle tinha formato de guitarra. A combinação era infalível: jogabilidade baseada em ritmo e uma trilha sonora matadora foram essenciais para fazer uma legião se sentir como um rockstar dentro de casa. Sem ficar sentada no sofá, de preferência.

Menção honrosa: O primeiro Guitar Hero, com uma lista de músicas igualmente boa.

E aí, faltou algum jogo? Qual o título mais marcante do PlayStation 2 para você? Deixe sua opinião nos comentários!

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