A filosofia da Telltale é intrigante pelo simples fato de andar lado a lado das obras cinematográficas ou produzidas para a TV. Isso junto à mistura da narrativa com elementos clássicos (e ainda assim modernos) dos point and clicks. Em Back To The Future, a companhia serviu um jogo despretensioso, que não fez jus ao apreço da trilogia de metragens - mesmo caso da adaptação de Jurassic Park para os games. Felizmente, em 2012 a empresa lançou a ótima adaptação de The Walking Dead e acertou desde então. A atmosfera misteriosa e mitológica de Wolf Among Us e pontualmente bem-humorada Tales from Boderlands são exemplos disso.

Segundo episódio, The Lost Words, chega em fevereiro

Agora a empresa aposta no universo fantástico da série de sucesso da HBO, Game of Thrones, baseada nas Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Felizmente, o resultado é um belo tratamento da obra, que não agradará apenas aos fãs, mas também aos interessados por uma boa trama.

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O primeiro episódio do jogo, "Iron from Ice", inicia-se durante o evento mais importante do terceiro livro da série; e entre a terceira e quarta temporada do seriado da HBO. Porém, em contrapartida à obra original e à adaptação para a TV, você não é colocado na pele dos personagens mais conhecidos, mas dos membros da família Forrester, juramentada aos Starks, e responsável pela produção de Ironwood (um tipo de madeira muito usado em Westeros, matéria-prima principalmente de escudos). E você não controla apenas um personagem, como na primeira temporada de Walking Dead, por exemplo. Aqui, você controla os membros da família.

Apesar de encaixar com excelência os personagens naquele universo, a Telltale apostou em um roteiro com personagens que são quase arquétipos dentro do universo de Martin. Há a donzela que está sob a custódia da corte em Porto Real, o herdeiro que recebe sob os seus ombros o encargo de administrar sua casa, o filho que vai para a Patrulha da Noite...

Ainda assim é empolgante viver cada um desses, que são responsáveis por catalisar fortemente a importância de suas decisões, característica clássica dos jogos da Telltale. Aqui, essas decisões ganham maior magnitude, e te deixam literalmente entre a vida e a morte. E, novamente, assim como Walking Dead, te dá aquela aflitiva porém deliciosa sensação: "será que se eu fizesse diferente isso não teria ocorrido?".

A união entre Martin e Telltale - e alguns spoilers

As características dos jogos da Telltale e do universo de George R. R. Martin são evidentes em alguns pontos da jogatina. A jogabilidade em grande parte do tempo é mais exploratória do que ativa. Os próprios diálogos são mais empolgantes do que os momentos de ação, e isso é resultado do universo coeso e inesperado de Game of Thrones. Por isso, a comparação com Walking Dead e Wolf Among Us é inevitável. A proeza da Telltale começa mesmo antes do jogo ser desenvolvido. Ela está na seleção do universo a ser explorado, como o Walking Dead dos quadrinhos e a publicação Fábulas.

O primeiro dos seis episódios do jogo foi responsável por estabelecer o início da trama, apresentando os personagens cujo destino é – assim como qualquer obra que tenha o dedo de Martin – incógnito. O destaque fica para a aparição de Ramsay Snow/Bolton. A visita do personagem é genuinamente amedrontadora, o que faz que suas decisões sejam ainda mais difíceis de fazer. E, novamente, elas podem resultar em um acontecimento trágico. O diálogo com Cersei em Porto Real também é amedrontador no mesmo nível.

Ambos os casos são exemplos de como a Telltale pode calcar-se na série para multiplicar a sensação do jogador – nos dois casos, aumentar o medo e dar a importância de uma decisão, justamente por ele saber do que aqueles personagens são capazes. O casamento entre a preocupação ludonarrativa da produtora e o universo bem construído de Martin promete ser duradouro e emocionante.

Game of Thrones foi lançado para Xbox One, PlayStation 4, Xbox 360, PlayStation 3, PC, Mac e iOS.

Nota do crítico