Forza Motosport vem em uma crescente em termos de qualidade há tantos anos que, de muitas formas, Forza Motorsport 7 vem quase como uma consagração de seu estilo abrangente, que consegue apresentar sua paixão por carros a dois tipos de público bem distintos: aqueles que buscam os lados mais elaborados de uma simulação e aqueles que simplesmente querem se divertir.

A nova entrada desta franquia bienal do Xbox (ou anual, se considerarmos o primo descolado Forza Horizon) é maior, mais bonita e mais encorpada do que todos os seus antecessores, mas o que mais importa neste ciclo de melhorias é o fato de ela também ser menos engessada. Há menos passos entre o jogador que está começando e as corridas, com menos tutoriais e menos explicações monótonas.

A progressão do jogo, agora baseada em uma série de campeonatos, também é mais aberta, permitindo que você escolha eventos dentro de uma categoria, que contam pontos para que você avance até a próxima.

Em Forza, a Turn 10 já aperfeiçoou a arte de inserir gradualmente o jogador em uma sensação de estar numa corrida real, seja aumentando a dificuldade gradualmente pelo avanço dos campeonatos, seja desligando gradualmente as assistências. Com Forza 7, entretanto, o estúdio encontrou a melhor solução para dar liberdade a todos sem abrir mão deste método que não amedronta jogadores pouco versados nas simulações.

Forza 7 é um jogo maior, mais bonito e menos engessado do que os anteriores

Na parte de gameplay, isso se traduz em um jogo mais voltado à simulação que sabe passar nuances dos carros por meio do controle como poucos, e isso é o que faz Forza 7 se diferenciar de todos os seus concorrentes. Essa fina arte aprimorada ano após ano, Forza após Forza, retorna aqui irrepreensível.

Enquanto a acessibilidade é um mérito que fica mais escondido, o cartão de visitas é obviamente o visual. E, aqui, vale dar uma olhada mais atenta nos gráficos e no desempenho, já que Forza Motorsport 7 foi escolhido pela Microsoft como um dos garotos-propaganda do poderoso Xbox One X, que chega ao mercado dentro de alguns dias no exterior (e até o fim do ano no Brasil).

Forza Motorsport 7

Muito embora ver rodando Forza 7 no One X com seus 4K, 1080p e 60fps seja, sim, uma experiência impressionante, o título também não faz feio nas versões mais antigas do “xonão”. Lá, o título também é um dos mais impressionantes da geração de um ponto de vista técnica, das texturas aos efeitos de iluminação, passando pela recriação fidedigna e a base de fotografias do céu implementada em Forza Horizon 3.

É do “céu”, também, que vem uma tardia e importante adição do ponto de vista de gameplay: o clima dinâmico. Mas, se a Turn 10 demorou tanto para implementar esta funcionalidade, ela o fez da melhor forma possível. É meio clichê elogiar um gráfico de um jogo falando que ele “parece real”, mas quando você vê o céu fechando e uma tempestade se aproximando da pista, parece real mesmo.

Todo esse esforço de desenvolvimento para entregar uma experiência tecnologicamente avançada tem um custo, e a opção encontrada pela Microsoft de capitalizar (ainda que parcialmente) em cima do investimento não foi das melhores. O título é mais um dos que adere à economia das caixas de loot, este sistema de distribuição aleatória de itens que está na moda em 2017 e têm causado certa polêmica.

De certa forma, Forza 7 reajustou todo o seu sistema de progressão de modo para encorajar o jogador a adquirir as caixas. Enquanto antes você simplesmente precisava de CR (a moeda do jogo) para adquirir os veículos que você queria dentro de uma garagem com mais de 700 bólidos. Agora, não é mais tão simples.

Forza Motorsport 7

A coleção de carros de Forza é dividida em diversos níveis, que vão sendo desbloqueados à medida que você adquire mais veículos: compre uma quantia X de carros de nível 1 e os de nível 2 se abrem para você.

Para ter tudo, é preciso ter muito dinheiro, e uma das alternativas para acelerar seu progresso é recorrer às modificações, que foram introduzidas em Forza 6 e funcionam mais ou menos como os perks de Call of Duty: corra sob determinadas condições e você ganhará um bônus ao final da corrida.

Agora, as modificações são totalmente atreladas às caixas de loot, e têm uso limitado: você pode equipá-las de uma a cinco vezes, e elas somem. Sem as caixas, não há como manter estes itens. Para quem quiser explorar tudo o que o jogo tem a oferecer, é praticamente impossível não utilizar as caixas, pois você precisará bombar sua premiação por cada corrida para conseguir obter mais carros com mais rapidez.

Para explorar tudo do jogo, não há como não recorrer às caixas de loot

Pior ainda foi a estratégia inicial da empresa com quem comprou o passe VIP, que tradicionalmente dá CR em dobro, além de carros e eventos exclusivos. Inicialmente, Forza 7 dava apenas cinco modificadores de CR, em vez de um upgrade permanente. A Turn 10 já anunciou que vai mudar isso, mas a primeira impressão causada pelo plano da empresa é péssimo.

Forza Motorsport 7

Por enquanto, a Microsoft ainda não oferece microtransações para adquirir CR com dinheiro real, mas essa é a ideia da empresa, como falaram ao Ars Technica. Entretanto, basta dar uma olhada em todo o sistema econômico, que basicamente requer que você gaste CR para obter uma quantia um pouco maior de CR, para perceber a intenção de incluir um “caminho fácil” que requer mais dinheiro de verdade.

Produzir um jogo é caro, sem dúvidas, mas esse tipo de esquema certamente tira o brilho de um jogo que, há anos, está na vanguarda do gênero. Forza 7 quer que você vire um amante das corridas como todos os games anteriores da série, mas, caso você se apaixone, vai precisar de trabalho (ou dinheiro) para manter o amor.

Forza Motorsport 7 está disponível para Xbox One e PC, e pode ser adquirido em ambas as plataformas com uma única compra por meio do programa Xbox Play Anywhere. O jogo foi testando em um Xbox One padrão. Clique no nome das plataformas para conferir o preço em sua versão digital.

Nota do crítico