Call of Duty, a série de games mais vendida da década, já explorou quase tantas guerras e zonas de conflito quanto a humanidade foi capaz de criar no último século. Do Vietnã a Cuba, da Segunda Guerra aos confrontos ficcionais com potências terroristas, não havia mais lugares a explodir.

Call of Duty: Advanced Warfare lança-se assim 40 anos no futuro, em 2054, quando exoesqueletos de combate dominam os campos de batalha e potências terceirizam seus exércitos. Provendo seus serviços contra terroristas está a Atlas, capitaneada pelo visionário Irons (Kevin Spacey), líder de indústria devotado a aprimorar a arte do combate de qualquer maneira.

Os exoesqueletos de combate são a resposta "realista" da Sledgehammer Games à jogabilidade divertida de títulos como Titanfall e Destiny. Com eles há salto duplo, recursos como injeções de adrenalina para desacelerar o tempo e pulsos eletromagnéticos desorientadores de inimigos, além de disparadores de ganchos e um verdadeiro arsenal de granadas táticas e de devastação.

O uso de tal artefato também permite uma série de atualizações de personagem, algo incomum nas campanhas single player da série. É possível melhorar defesas, armazenamento de granadas, duração da bateria (influenciando os "poderes"), saúde... Nada que tenha impacto muito relevante, porém. A novidade, um tanto dura nos controles, é mera perfumaria e - fora as fases mais verticalizadas - dá pra passar por elas jogando o Call of Duty de sempre.

A campanha, afinal, segue como a menor das preocupações da Activision. História óbvia, personagens nada desenvolvidos, quick time events malditos e sequências absolutamente idênticas a outras do passado. Há um ou dois momentos divertidos, mas nada que faça valer a pena as (poucas) horas perdidas ali. Pelo menos tem o Kevin Spacey no meio para dar alguma graça (na versão brasileira ficou com uma dublagem ruim, com a tentativa de sincronia labial desengonçada e atuações duras).

Visualmente, o game também tem altos e baixos. As primeiras fases, urbanas, são artificiais e um tanto refratárias, quase plásticas, em termos de textura. Também são um tanto restritivas estratégicamente. Aos poucos, porém, vão surgindo estágios mais empolgantes e bonitos. O do gelo é quase fotorrealista, entregando a qualidade que se espera de um game de nova geração.

Entra em ação então o multiplayer, a menina dos olhos da Activision, e não foram poupados esforços nele. A quantidade de modos de jogo é impressionante e testá-las é fundamental antes de jogar-se no mundo dos headshots!

Alguns modos, como o "Dominação" e suas variações ("Momento", "Zona de conflito", etc), são muito mais receptivos aos novatos, já que dão pontuação mais rápido e garante progressão do personagem nos rankings. Sem isso, nada de armas novas e vantagens competitiva, ou seja, fica difícil permanecer vivo mais do que alguns segundos frente à horda de fanáticos que se ofendem a cada intervalo (especialmente nos Jogos Extremos, que aceitam fogo amigo).

A Sledgehammer, empresa que assumiu a série depois do fiasco de Call of Duty: Ghosts (2013), pensou realmente em tudo nesse aspecto, já que há até uma lista chamada Jogos Clássicos, que exclui a movimentação de exos. Dá pra passar horas ali, buscando uma competitividade elusiva, que parece estar sempre na próxima caixa de itens-surpresa... Até que chega o próximo headshot e você cai feito um boneco inanimado, encarando a realidade de que ainda não foi desta vez.

Abrace o festival de respawns, não espere nada além disso e a certeza de diversão em Call of Duty: Advance Warfare logo chega. Isso, claro, se você conseguir conexão, pois os servidores, ao menos nesta primeira semana, estão apresentando alguns problemas nas partidas online. Caso sua experiência favorita seja é a do single player, porém, melhor procurar outro título.

Call of Duty: Advanced Warfare está disponível para PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox One, Xbox 360 e PC. A versão testada foi a de PlayStation 4.

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Nota do crítico