A BlizzCon não é um evento de games comum. São poucas (ou só uma) empresas que têm a capacidade de fazer uma celebração de seus próprios jogos com tamanha pompa. Ainda que seja diferente de ocasiões como a E3, por exemplo, este é certamente um dos maiores momentos do ano para os fãs de games - especialmente a edição 2014, quando a Blizzard decidiu dar um passo a frente na sua trajetória e anunciar Overwatch, a primeira franquia inédita em 17 anos.

Os dois dias de evento mobilizam parte do complexo hoteleiro e comercial de Anaheim, distrito a 40 minutos de Los Angeles. As ruas largas e os quarteirões espaçosos deixam o local com um ar deserto, mas basta chegar próximo ao Centro de Convenções para notar o movimento. Por dia, a BlizzCon reúne cerca de 25 mil pessoas. HearthStone e StarCraft II, com belas arenas e fãs insandecidos, eram os destaques e conseguiam representar o alcance atemporal da Blizzard, pois um foi lançado há um ano, o outro começou em 1998. No entanto, dentro dessa multidão, há quem busque conhecer o meio e invevitavelmente é sugado para um universo difícil de não se apaixonar.

Filme de Warcraft terá o tom dos primeiros jogos e orcs digitais hiperrealistas

A abertura é um exemplo disso. A euforia das pessoas no momento em que o presidente Mike Morhaime e toda equipe sobem no palco para os anúncios é digna de fãs de bandas de rock - e curiosamente a alta cúpula da empresa tem um grupo de metal chamado Elite Tauren Chieftain. Com isso, o contágio é imediato e, muitas vezes, hereditário. O engenheiro John Stan, 47, do Texas, levou seu filho Philip pela primeira vez ao evento. "Acho legal ele ver que existem muitas pessoas que gostam das mesmas coisas que ele fora do ambiente do computador. E é ótimo poder conversar com ele de igual para igual sobre World of Warcraft, por exemplo", disse em entrevista ao Omelete. Philip, por sua vez, estava prestes a entrar na fila para jogar Overwatch, grande novidade da feira. "Gostei dos personagens, gosto de shooters", disse timidamente o garoto.

Apesar de monossilábico, Philip resume o sentimento das pessoas que jogaram Overwatch - inclusive o da própria Blizzard. "Fizemos esse game pois gostamos de jogos de tiro. Não escapa muito disso. Queríamos dar a nossa visão para o gênero", disse Jeff Kaplan, um dos diretores do projeto em painel exclusivo para a imprensa. No total, a companhia disponibilizou 600 máquinas para o público testar o jogo e elas estavam sempre ocupadas. As pessoas entravam e saiam da arena para jogar novamente, enquanto alguns conversavam com instrutores da empresa para dar o tão aguardado feedback. "Colocamos o jogo aqui para termos a impressão imediata da comunidade sobre a nossa proposta e até agora estamos muito felizes com o que vimos", disse Kaplan.

Overwatch leva o estilo da Blizzard para o gênero FPS

Essa ligação com os fãs é algo que diferencia a Blizzard de outras desenvolvedoras. Na verdade, boa parte do sucesso da empresa vem da importância que ela dá aos pedidos da comunidade. "Isso aqui é uma obra feita em conjunto com vocês", declarou Chris Metzen ao comentar sobre a quantidade de pessoas reunidas em Anaheim. E essa festa é o palco para a celebração dessa união, com toques de mega evento, pois não é toda hora que uma cerimônia de encerramento pode ser concluída pelo Metallica; muito menos ter o show de abertura feito pela banda da empresa. Dessa forma, a BlizzCon soube apresentar o futuro da companhia sem esquecer de festejar seu legado, que ainda une gerações e pode servir de exemplo para toda a indústria.

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