Bayonetta é uma franquia de extremos. É dificil alguém ser indiferente ao frenesi visual imposto pela Platinum. Há um constante "ame ou odeie" acerca dela e não é pra menos. O exagero nos gráficos e na velocidade de seus controles são os principais fatores para tal. Com isso em vista, Bayonetta 2 é mais um atestado de uma assinatura inigualável no mercado, pois não há outro título que traga tamanha excelência em conceitos como jogabilidade, texto e o mais importante de todos: diversão. Afinal, o que mais importa ao jogar videogame?

A primeira convenção quebrada pelo jogo é negligenciar a tão usada câmera cinematográfica. Os closes e "travellings" em sequências pré-renderizadas existem em Bayonetta 2, mas poucas vezes são usadas só para impressionar - como em outros bons exemplos como DmC, God of War e Uncharted. O foco aqui é deixa o jogador no controle das ações, mesmo que isso implique em enfrentar um monstro gigante subindo um arranha-céu. A união do visual japonês das criaturas e a explosão de cores e brilho nas cenas de luta pode parecer confuso no início, mas em pouco tempo os olhos se acostumam e começam a ver a beleza que está por dentro daquele caos.

Mais evidente que o belo trabalho artístico de Bayonetta 2 é o erotismo de sua protagonista. A bruxa que veste um colant preto e calça saltos com revólveres, nada mais é que a personificação da sátira pretendida pela Platinum. O game instiga o jogador com o exagero nas poses e closes na heroína, que representa a dominação feminina na forma de uma figura perdida entre a sensualidade das curvas de uma mulher e a presença impactante de uma drag queen. O exagero, na verdade, é a ferramenta crítica do título para enfrentar o preconceito acerca de seu posicionamento em relação ao sexismo. Escondido na silhueta do sexo de Bayonetta está uma crítica velada aos preconceituosos que, por não terem as evidências jogadas na mesa, se vêem jogando um game puramente erótico.

Nenhuma dessas virtudes seria tão eficaz caso os controles do jogo não fossem coesos. E isso é outra excelência de Bayonetta 2. Tudo que foi apresentado no primeiro game volta com o mesmo peso e velocidade, mas ajudado por mudanças pontuais que servem para diversificar o combate - ponto principal do gênero de ação em terceira pessoa. É possível customizar a personagem principal com mais armas primárias e secundárias (o que garante um número maior de combos), além de desenvolver mais habilidades específicas de finalização.

À parte o modo cooperativo, a melhor (e mais simples) novidade do título talvez sejam as armas temporárias, sempre caídas de algum inimigo derrotado. Usar esses objetos por um determinado tempo muda completamente a estratégia de algumas lutas e exige que o jogador planeje melhor alguns combates pontuais - o número de duelos "esmaga botões" é muito menor que o primeiro jogo, por exemplo.

Nessa continuação, a Platinum também decidiu diminuir o tamanho das missões. São mais de 15 capítulos que se dividem em submissões que não deixam o ritmo cair nunca. Com isso, fica a sensação de gancho sempre ao encerrar um objetivo e é difícil não apertar o botão para seguir em frente. Tal qual no primeiro jogo, a história serve apenas como pano de fundo para todas os elementos discutidos até aqui. O confronto entre céu, inferno, anjos e demônios é intensificado, mas não chega a se tornar protagonista da experiência, nem a atrapalhar a jornada de quase 20 horas (expandíveis se optar pela coleta dos colecionáveis).

Bayonetta 2 é, no fim das contas, o maravilhamento do segundo encontro. O momento em que, passado o primeiro e surpreendente contato, se conhece melhor o companheiro e aparecem os primeiros sinais de química duradoura. Esse não é um título feito somente para os amantes de hack 'n' slash, mas para quem preza por um misto de diversão e crítica na forma de game. A Platinum melhorou a franquia em todos os aspectos e de tabela entregou o melhor jogo de 2014 aos donos de Wii U.

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Nota do crítico