Como todas as franquias que despejam games anualmente de forma quase obrigatória atendendo os acionistas, Assassin's Creed tem seus altos e baixos. Mas, se no ano passado, Assassin's Creed IV: Black Flag foi um dos grandes jogos da série, Assassin's Creed Unity, o título carro-chefe deste ano, ainda que não seja irretocável, ao menos não deixa a peteca cair.

A obrigatoriedade de lançamento anual tradicionalmente cobra seu preço quando há troca de engine. Um motor testado é sempre aprimorado no ano seguinte resultando em grandes jogos. Os novatos sempre sofrem com um verdadeiro festival de bugs. E Unity, primeiro título da série exclusivo para a nova geração, nesse quesito é rei.

Os controles estão meio aleatórios. Não raro o sistema de free run resulta em uma corrida parkour que pula para os lados ou trava em cantinhos e janelas (algo terrível, pois há muitos interiores). Pior... A colisão apresenta muitos problemas, com o protagonista prendendo em objetos, ficando enclausurado em estruturas, etc. Também existem travamentos de vários segundos, personagens sumindo e reaparecendo, uma voando...

Os problemas incluem uma das missões de investigação, em que depois de uma hora indo pra todos os cantos e coletando pistas, terminou com um bug que me impedia de acusar o suspeito principal. Foi necessário reiniciar o game para que ele retornasse a opção.

Mas...

Assassin's Creed Unity é o game realista mais lindo que já joguei.

A Paris do final do século 18, em plena Revolução Francesa, é gloriosa. Arquitetura soberba em um mapa que replica com detalhes ínfimos marcos da cidade, recriados em escala real. Muito além das pedras gastas, as situações sociais, o clima de tensão e libertação são palpáveis em cada esquina. Visualmente, Unity é um marco.

Apesar dos graves problemas de engine, que acredito serem contornáveis com atualizações de software, o game tem novidades interessantes. O combate ficou mais difícil (menos automático e mais exigente, com inimigos muito mais letais) e o estilo de jogo está mais parecido com um RPG. Cada ação rende pontos de três tipos diferentes que podem ser empregados na progressão. Saem as lojas de armas e as habilidades adquiridas na progressão das fases e entra um sistema de avanços pagos com esses pontos. Ainda que algumas habilidades só possam ser atingidas nas fases, a grande maioria é acessível desde o início. Para obtê-las basta fazer as missões paralelas.

E são muitas opções de missões

Assassin's Creed Unity tem mais oportunidades e estilos de jogo do que seus antecessores. Há missões normais de história, tarefas urbanas imediatas, caçadas a tesouros, objetos de arte, missões de clubes privados (em Paris, nada melhor que ser dono de bares e restaurantes), fendas temporais que levam à Paris de outras épocas, histórias curiosas da cidade, enigmas de Nostradamus e... O tão aguardado jogo cooperativo!

Compensando a história pouco cativante e um tanto mal-ajambrada (o novo personagem, Arno, é mal desenvolvido e a trama atropela seus próprios conceitos), o modo cooperativo dá inúmeras missões para até quatro jogadores, que podem atuar juntos, e o faz de maneira desafiadora. São mapas repletos de opções de resolução, complementados com boas histórias. Trabalhar ao lado de amigos é definitivamente o elemento que faltava a uma série que, se não se reinventa e lança jogos anualmente, ao menos busca sempre pequenas surpresas e se esmera na pesquisa.

Ao final, o interação entre camaradas, a beleza de Paris e a forma como o título a explora em profundidade, algo que não acontecia desde os tempos de Ezio, é o grande trunfo do que poderia ser o melhor game do ano. Pena que a Ubisoft Montreal claramente teve que tirá-lo do forno antes da hora.

Leia mais sobre Assassin's Creed Unity

Nota do crítico