Em 2017, a Motorola voltou a ser a Motorola. Literalmente.

Após um 2016 confuso, em que a Lenovo resolveu abandonar o nome tradicional da marca que havia adquirido do Google em 2014 para adotar o termo “Moto by Lenovo”, a companhia chinesa parece ter entendido que esse não era o caminho ideal para a marca. Em junho, a empresa resolveu, oficialmente, voltar à Motorola.

A crise de identidade se resolveu também em um ano que a Motorola buscou um posicionamento um pouco diferente de anos anteriores, expandindo seu portfólio ainda mais após bons resultados com o Moto G4 e Moto Z do ano passado.

Com cinco linhas diferentes de produtos, incluindo o retorno da querida linha Moto X, a ideia foi ocupar todos os espaços possíveis e disponíveis no mercado, de modelos de entrada ao topo de linha – rivalizando a estratégia de uma de suas principais concorrentes em regiões como o Brasil, a Samsung.

Gabriel Pereira/The Enemy

De fora, no entanto, o line-up de 2017 ainda pode parecer um tanto complicado: Moto C Plus, Moto E4, Moto E4 Plus, Moto G5, Moto G5S, Moto G5 Plus, Moto G5S Plus, Moto X4, Moto Z2 Play e Moto Z2 Force. A linha de produtos da companhia neste ano é uma verdadeira sopa de letrinhas.

Mas parece ter cumprido seu papel de dar visibilidade à marca e fornecer produtos específicos para cada tipo de usuário. No Brasil, a empresa segue firme na segundo posição do mercado, pelo segundo ano seguido, além de ter visto um crescimento importante – de seis vezes, segundo a consultoria GfK – no segmento premium. Nos primeiros seis meses de 2017, a empresa cresceu suas vendas em 51% no país, também de acordo com a GfK.

Além do tamanho expansivo do catálogo, isso tudo pode ser atribuído, de forma geral, à boa construção dos dispositivos que a empresa colocou no mercado neste ano.

A grande dúvida, no entanto, permanece sendo sua atuação global sob a Lenovo

Na Linha Z, a companhia resolveu fortalecer a estratégia dos smartphones modulares, lançando o ótimo Moto Z2 Play e o resistente, mas facilmente riscável, Moto Z2 Force. Compatíveis com os Moto Snaps lançados no ano passado, os modelos chegaram com novos acessórios e conquistaram parte importante do mercado para a empresa.

Depois de um sumiço de dois anos, a companhia também trouxe de volta a linha X à tempo das vindas de fim de ano, que retornou com um Moto X4 de boa construção e boa bateria. O mesmo vale para o E4 Plus, modelo mais próximo ao segmento de entrada que chegou sem nada fantástico, mas com performance sólida para a categoria.

Divulgação/Motorola

O ano sólido, no entanto, não significa que a empresa não tenha observado seus tropeços no meio do caminho, é claro.

Conhecida por fornecer uma experiência de software próxima ao Android puro, uma das grandes polêmicas do ano com a empresa foi justamente ao redor do sistema operacional.

Em setembro, a companhia anunciou o line-up completo de dispositivos que receberão o novo Android 8.0 Oreo que, notavelmente, deixou de fora a série Moto G4 –modelo lançado no ano passado que viu um bom número de vendas, o que só aumentou a quantidade de usuários irritados com a falta de atualização.

Posteriormente, através do Twitter, a Motorola Índia chegou a confirmar o update para o Moto G4 Plus, mas sem informações sobre data.

E em 2018?

Em mercado importantes para a marca, como o Brasil, Índia e Estados Unidos, a Motorola prepara-se para entrar em 2018 com um line-up forte de produtos e boa presença.

Só na América Latina, a Motorola registrou uma participação de mercado de 17,7%, um novo recorde histórico, segundo os resultados trimestrais mais recentes da Lenovo, e um crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior.

A grande dúvida, no entanto, permanece sendo sua atuação global sob a Lenovo.

Em 2016, a Lenovo viu sua participação global no mercado de smartphones cair para a oitava posição. Dentro de casa, na China, o resultado foi ainda pior:a companhia deixou a lista dos 10 maiores vendedores de smartphones do principal mercado do mundo, perdendo espaço com a ascensão de companhias como Xiaomi e Oppo.

Para 2018, resta saber se a Motorola focará suas forças nos mercados onde tem tração ou se tentará se expandir para agarrar novas oportunidades.